Em outubro de 2007 a cantora Helen Berhane, que passou mais de dois anos e meio presa e incomunicável, sem acusação ou julgamento, no campo militar de Mai Serwa, recebeu abrigo em um país da Europa.

Helen estava entre os 2 mil presos membros de igrejas evangélicas proibidas na Eritréia, país da África, incluindo a dela, a Igreja Rema, que foi submetida à perseguição sistemática por parte do governo eritreu nos últimos quatro anos.

A cantora, de 31 anos, passou a maior parte do tempo de sua prisão em condições desumanas e degradantes, dentro de um contêiner de metal que era usado como cela. As autoridades, segundo relatos, torturaram Helen várias vezes para fazê-la renunciar à sua fé. Em outubro de 2006, ela deu entrada em um hospital de Asmara em conseqüência de novas agressões.

Depois de sair do hospital, ela foi mandada de volta para a prisão. Helen foi libertada no final de outubro, mas estaria confinada a uma cadeira de rodas em virtude dos sucessivos ferimentos sofridos nos pés e nas pernas. Ela se recusou a abandonar sua fé, apesar das ameaças e dos maus-tratos.

No mês de agosto de 2007, um encontro marcante aconteceu na sede do Grupo MK de Comunicação entre a cantora e pastora Fernanda Brum e Douglas Monaco e Hector Tamez, líderes de Portas Abertas – ministério que dá suporte à Igreja Perseguida em todo o mundo. Na ocasião, Fernanda Brum, que é embaixadora do Portas Abertas no Brasil, ofereceu o título de cantora do ano – prêmio recebido na edição 2007 do Troféu Talento – a Helen Berhane.

Quando tomou conhecimento da história, Fernanda Brum levantou um clamor por Helen no Brasil. Na noite da premiação, a pastora contou brevemente a história da africana perseguida, dedicando também o troféu ao Ministério Portas Abertas: “Eu já tinha a intenção de dedicar o troféu a Helen porque a cantora do ano foi ela, dentro daquele contêiner, apanhando porque gravou um CD evangélico e alcançou milhares de adolescentes. Não só as forças espirituais, mas os poderes políticos e físicos se voltaram contra ela, que sofreu na própria carne”.

Para o secretário geral do Portas Abertas no Brasil, Douglas Monaco, o gesto de Fernanda só ratifica aquilo que está escrito na Palavra de Deus. “É como se ela estivesse dizendo aos irmãos que sofrem perseguições: ‘Estamos juntos'”. O correspondente internacional do Ministério, o mexicano Hector Tamez, aproveitou a oportunidade para lembrar do papel dos cristãos no apoio à Igreja Perseguida. “Existem irmãos muito queridos passando por tempos difíceis, e eles estão precisando de nós. Orem por eles”.

De acordo com Douglas Monaco, Helen Berhane recebeu o troféu e agradeceu muito o carinho de Fernanda Brum. Abaixo, a transcrição de um e-mail enviado por ele a pastora Fernanda Brum:

‘Querida Pastora Fernanda Brum ,

Veja, por favor, o e-mail de meu colega chefe do departamento de Ações Institucionais em Open Doors International. Segundo ele, a nossa irmã Helen ficou “sem palavras” ao receber seu presente e sua carta.

Muito obrigado mais uma vez.

Um abraço e continuemos a servir nosso DEUS juntos.

Douglas Monaco’

Fonte: Elnet