As pesquisas indicam que o Partido Republicano, de George W. Bush, deve perder o controle da Câmara dos Deputados e possivelmente do Senado na eleição desta terça-feira, em grande parte devido à impopularidade da guerra no Iraque.

A professora aposentada Martha Bobbitt considera o presidente George W. Bush um bom cristão, com valores corretos. Se conduz mal a guerra do Iraque, isso não muda o voto dela.

Mas, para milhões de norte-americanos, o apoio a Bush vai além do debate sobre os rumos da guerra ao terrorismo. Para esse eleitorado, o que realmente importa são os velhos valores conservadores.

As pesquisas mostram que os eleitores mais religiosos têm maior tendência a apoiar os militares, o presidente e a guerra. Esse grupo considera que a oposição democrata não tem fibra para defender o estilo de vida norte-americano da ameaça do islã radical.

“Apóio o presidente. Eu o acho um ótimo cristão, e sua moral e seus valores representam nosso país em um grau maravilhoso”, disse Bobbitt, ecoando opiniões correntes em um recente comício do candidato republicano Mac Collins em Dublin, na Geórgia.

“Sinto que o 11 de Setembro mudou as vidas aqui neste país. Estamos travando uma guerra que é completamente diferente das guerras que travamos no passado”, disse ela.

Dublin fica no chamado “Cinturão Bíblico”, uma região de muitas igrejas e sentimentos religiosos arraigados, que ocupa grande parte do sudeste dos EUA.

Bush fez campanha na semana passada para candidatos a deputado na Geórgia, em dois dos poucos distritos em todo o país em que o Partido Republicano acha que pode tirar as vagas atualmente ocupadas por democratas.

Cerca de 48 por cento dos eleitores registrados da Geórgia dizem aprovar Bush, e 47 por cento aprovam a atuação do governo no Iraque, segundo pesquisa desta semana do instituto Mason-Dixon para o jornal Atlanta Journal-Constitution. Em nível nacional, a popularidade de Bush está em 38 por cento.

A disputa do 8o distrito eleitoral da Geórgia, onde fica Dublin, é complicada para os republicanos porque o atual representante da área, o democrata Jim Marshall, é um veterano do Vietnã com direito a lugar na Galeria da Fama de uma unidade do Exército. Pelo fato de defender a guerra do Iraque — numa região com fortes vínculos com militares –, dificilmente Marshall pode ser acusado de “liberal”, o que no jargão político dos EUA significa “esquerdista”.

Mas seu adversário Collins insiste que os valores da Geórgia não se encaixam na ideologia liberal de democratas como a líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi.

“Senhorita Pelosi, não concordamos com suas idéias e valores de São Francisco, Costa Oeste. Fazemos as coisas de um jeito diferente na Geórgia”, disse Collins em discurso na quinta-feira, qualificando-se como “um cara com quem você pode fazer negócios num aperto de mão”.

O caos e a violência no Iraque não abalam os entusiastas mais ardorosos do presidente.

Britt Smith, 48, e seu filho Greg, 20, serviram no Iraque pela Guarda Nacional da Geórgia, durante um ano, até maio.

Nenhum deles ficou ferido, mas a mulher de Britt, Peggy, lembra a angústia de ficar esperando por notícias, especialmente quando ela sabia que um membro da brigada do marido e do filho havia morrido.

“Nossa família foi submetida a testes demais com o Iraque”, disse ela na casa da família, em Dublin, decorada com uma bandeira dos EUA no jardim.

Para Peggy Smith, os democratas preferem que os norte-americanos percam a guerra do Iraque, “para que possam dizer que isso se deveu a uma política falida de Bush”.

Fonte: Reuters