Para quem viveu sua adolescência nos anos 60 ou 70, nenhum outro ator teve presença mais marcante do que Charlton Heston. Estrelando clássicos imortais do cinema e possuidor de enorme carisma pessoal, Heston tornou-se uma personalidade emblemática e reconhecida no mundo inteiro.

O papel que melhor desempenhou ao longo de sua longa carreira, foi de “tough guy”, ou “durão”, aquele sempre pronto a salvar a humanidade e arrebatar os corações das mocinhas.

Mas, tratava-se de um ator com formação bastante sólida, calcada principalmente no teatro, e que curiosamente jamais teve intenção de ingressar no cinema; o fêz apenas como uma experiencia à mais, já que sua paixão sempre foi o palco.

Mas, quando o legendário diretor Cecil B. de Mille, o escalou para o papel de Moisés em “Os Dez Mandamentos” (1956), seu destino não seria mais o mesmo e a volta ao teatro jamais aconteceu da forma como ele havia imaginado. Sua encarnação de Moisés foi tão elogiada e gerou tanta bilheteria, que em pouco tempo “Chuck”, como era chamado na intimidade, se tornou um dos atores mais bem pagos de Hollywood, recebendo centenas de convites para novos filmes.

Embora sua imagem tenha ficado eternamente associada ao seu papel em “Os Dez Mandamentos”, muitos acham que seu grande momento no cinema aconteceu três anos mais tarde, quando protagonizou “Ben-Hur”, um dos maiores sucessos de todos os tempos. O filme ganhou 11 oscars e Charleston levou a estatueta de melhor ator, de forma inquestionável.

Mas, apesar de todos os grande sucessos de Heston, como a primeira versão de “O Planeta dos macacos” e “Agonia e Êxtase”, onde interpreta Michelangelo, são dois filmes menos conhecidos de sua filmografia que mais marcaram minha adolescência.

O primeiro, “A Última Esperança da Terra” (1971), recentemente refilmado como “Eu Sou a Lenda”, dessa vêz etrelado por Will Smith, e o segundo “O Mundo de 2020” (1973). Ambos clássicos do gênero ficção-científica, mostram um Charlton Heston Maduro e conferindo bem mais aos personagens do que apenas músculos e vitalidade. Algo difícil de se encontrar nos filmes de ação atuais.

O ator também ficou notório por seu envolvimento em causas como os direitos civis e a luta contra o racismo. Foi dos primeiros atores de grande magnitude a apoiar publicamente Martin Luther King, jr., fato que pouca gente se lembra. Recentemente Heston ficou marcado por sua aparição no documentario “Tiros em Columbine”(2002) do documentarista Michael Moore, onde é colocado na parede por sua defesa ao direito do porte de armas. Na época Heston era um dos lobistas da industria de armas americana. Achei bastante covarde a forma como Michael Moore conduziu a entrevista e principalmente em como tentou estereotipar o ator como reacionário e racista, ignorando seu passado na luta pelos direitos civis.

No final de sua vida, já tendo que lidar com os primeiros sinais do mal de Alzheimer, Charlton Heston se manteve afastado das telas, somente fazendo pequenas aparições ocasionalmente, em uma delas, maquiado com um macaco idoso e doente na refilmagem de “O Planeta dos Macacos”, fato que quase ninguém reparou.

O mundo do cinema perdeu um icone e um ator de primeira grandeza, que certamente não terá substitutos que possam emprestar a personagens de filmes de ação tanta profundidade e emocão.

Um abraço,

Leon Neto