Público e crítica não têm sido muito magnânimos com o diretor M. Night Shyamalan ultimamente. Desde que o cineasta indiano assombrou (literalmente!) o mundo ao emplacar o sucesso “O sexto Sentido”, logo na sua primeira empreitada no cinema americano, todos tem esperado que ele se supere a cada novo lançamento.

E invariavelmente, a maioria de seu público tem se frustrado por não ver na tela a mesma magia que Shyamalan conseguiu em seu debut americano. Muito embora ele tenha, na minha opinião, produzido bons filmes na seqüência de “O Sexto Sentido”, nenhum deles chegou nem perto do primeiro. Mas, apesar disso, acho “Corpo Fechado” um filme acima da média e “A Vila”, quase uma obra prima.

Agora ele chega com “Fim dos Tempos”, um suspense-ecológico recheado de cenas violentas e hiper-realistas. A trama se passa na Filadélfia onde estranhos suicídios em massa começam a ocorrer, o que causa pânico generalizado e fuga em massa.

O filme tem ares de filme “B”, bem no estilo daqueles filmes em preto-e-branco que costumavam passar na sessão coruja (se você tiver mais de trinta anos vai lembrar com certeza). O elenco tem nomes de destaque como Mark walberg e o bom ator John Leguizano, mas que dessa vez não demonstram ter boa química. Tudo parece um pouco estereotipado demais e as atuações, não muito naturais.

Ainda é possível levar alguns sustos, mas de forma geral o filme é um pouco monótono, meio chatinho mesmo. a trama é simplista demais e não apresenta os mesmo elementos complexos e criativos de outros filmes do diretor. uma pena. Shyamalan continua sendo das grandes esperanças do cinema mundial e talvez por isso mesmo o nível de exigência seja tão grande para ele.

Shyamalan é daqueles cineastas multi-talentosos que escrevem os próprios roteiros e produzem os filmes que dirigem. Mas parece que sua habilidade como roteirista tem declinado um pouco. Das coisas que mais gosto em seus filmes, é a sua habilidade de tecer historias com estrutura de fabulas urbanas, criando universos próprios repletos de alegorias. Mas o roteiro de “Fim dos Tempos” mostra-se preguiçoso e pouco profundo, sem nenhum de seus famosos “twists”, aquelas surpresas no final da trama. Além disso, é panfletário demais; poderia muito bem ter sido escrito por Al Gore, estrelado por Leonardo Di Caprio e dirigido por Michael Moore. Mal sabem eles que a grande crise que o mundo enfrenta é espiritual e não ecológica…

Agora, só resta esperar pelo próximo projeto, que por sinal já está em pré-produção e programado para ser lançado em 2010.

Um abraço,

Leon Neto