Já está tudo prontinho para a entrega do Oscar no próximo domingo, e todas as fichas estão apostadas no filme “Avatar”, do já premiadíssimo diretor e produtor James Cameron. Afinal, “Avatar” sintetiza tudo o que a indústria cinematográfica americana mais gosta e idolatra: cenas de ação, tecnologia, finais felizes e principalmente, milhões, bilhões de dólares gerados mundo a fora.

Nessa época de crise mundial, nada melhor do que uma fantasia como “Avatar” para nos abstrair da áspera realidade diária e nos levar a um mundo de fantasia por quase três horas. Pois é, milhões e milhões de expectadores compraram essa ideia no mundo todo e garantiram o emprego de milhares de trabalhadores de Hollywood. Os produtores, diretores, atores e principalmente os executivos do cinema americano não poderiam estar mais felizes com o velho e bom Jim Cameron. Assim, nada mais conveniente do que lhe entregar as principais estatuetas da noite. Mas existe uma pedra no caminho deles chamada Katheryn Bigelow, a diretora de ”The Hurt Locker”.

“The Hurt Locker”, que no Brasil recebeu o péssimo título de “Guerra ao Terror”, talvez seja o melhor filme de guerra produzido nos últimos 15 ou 20 anos. O titulo em português, que mais parece nome de videogame, não faz jus ao conteúdo do filme, que é muito, muito mais profundo do que um desses filmecos de ação tipo “A Supremacia Bourne”. “The Hurt Locker” é uma expressão em inglês , uma gíria militar que significa uma situação difícil, de sofrimento e dor . E durante o filme fica-se a pensar sobre o sofrimento de quem o título se refere, se ao dos soldados, dos terroristas, dos civis. O patético título da versão brasileira quebra toda essa sutileza.

O filme retrata com crueza e realismo do dia-a-dia de um esquadrão anti-bombas no Iraque. O grau de tensão nessa atividade é absurdamente alto e talvez esta seja a profissão mais perigosa do mundo no momento. O que é mais incrível é que os soldados que entram nessa são voluntários e não recebem nem um tipo de privilégio por isso.

O trabalho de direção de Katheryn é absolutamente impecável. Ela utilizou quatro câmeras simultaneamente para as cenas de ação, e os atores assim não tinham ideia por qual delas estavam sendo filmados. Isto deu ao filme um tom quase que documental e gerou nos atores uma naturalidade poucas vezes vista na telona. Apesar da dureza do tema, não há violência gratuita no filme e tudo foi editado com profunda maestria e refinamento.

Se há um filme que pode estragar a festa de James Cameron, esse filme é “The Hurt Locker”, indicado para o mesmo número de estatuetas (9) que “Avatar”. Mas, tem mais um detalhe interessante: Katheryn bigelow é ex-esposa de James Cameron! Já pensou só se ela ganha o prêmio de melhor diretora? Cameron veio a publico dizer que o casamento se desfez há mais de 20 anos e que eles são amigos agora. Mas, será que no fundo, no fundo, não rola um certo “sentimentozinho” de desforra? Além disso, nunca na historia desse pais.., quer dizer na historia do Oscar, uma mulher ganhou o prêmio de melhor direção. Já pensou se for logo agora?

Bem, ninguém pode saber ao certo, mas que vai ser um componente a mais de emoção na festa de domingo, ah, isso vai. E eu estarei torcendo por “The Hurt Locker” e sua brilhante diretora.

Um abraço,

Leon Neto