Fiquei chocado essa semana ao ler [url=http://www.folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=14447]aqui[/url] no FolhaGospel sobre a existência de uma rádio pirata evangélica em São Bernardo, SP.

A tal rádio era vinculada a uma Igreja Assembleia de Deus da mesma cidade. Após uma denúncia anônima a rádio, que usava o nome de “Promessa FM”, foi devidamente fechada pelas autoridades e teve todos os seus equipamentos apreendidos.

Qual não foi minha surpresa ao pesquisar na internet, que este não é o único caso no Brasil. Defrontei-me com muitos outros casos semelhantes em diversos estados brasileiros. Na maioria das vezes, as rádios cobravam taxas dos anunciantes e em uma delas até mesmo propaganda política ilegal foi caracterizada.

Num primeiro momento não há como defender as tais rádios pirata, mesmo que sejam evangélicas. A lei se aplica a todos, e a própria Bíblia nos orienta à “dar a César o que é de César” e cumprir a lei dos homens assim com as leis de Deus. Rádios pirata põem em risco a aviação comercial, podem prejudicar a comunicação entre hospitais e ambulâncias e ameaçam o emprego de muita gente que trabalha honestamente nas rádios legalizadas. Mas, há quem defenda iniciativas como essas. Há quem diga que o importante é anunciar o evangelho, mesmo que se esteja de alguma forma burlando a lei.

Os que pensam assim, são os mesmos que dão uma sonegada básica no imposto de renda, achando que não é nada demais, ou que fazem vista grossa para as obrigações trabalhistas dos funcionários da igreja. Algo inaceitável para um Cristão. Além do que, por esse mesmo raciocínio, o de que os fins justificam os meios, seria também aceitável roubar um banco, desde que o dinheiro fosse usado para evangelismo ou coisa parecida.

Claro que há exceções. Muitos missionários têm que declarar outra profissão ao entrar em países que são hostis ao evangelho. Na China, por exemplo, onde cultos e estudos bíblicos são proibidos fora da tutela do governo, muitas comunidades Cristãs tem que ir de encontro às leis locais para poder pregar o evangelho. Mas, situações como essas são completamente diferente das rádios pirata evangélicas. Não há termos de comparação. Vivemos em um país que nos dá plena liberdade para proclamar o evangelho, sem a necessidade de atos ilegais e contravenções.

O pior de tudo para mim, foi notar que em alguns casos, para não dizer na maioria, os interesses econômicos é que são a verdadeira razão da existência dessas rádios. Além de ilegais, as intenções são imorais e mercantilistas. Nada diferente dos mercadores do templo que Jesus expulsou na base da chibata.

Se Deus tem um plano para sua igreja em termos de montar uma rádio evangélica, certamente vai prover os meios necessários de forma milagrosa e contundente, mas sem jamais aprovar o uso de subterfúgios legais. Como já disse aqui na coluna anteriormente, pirataria em todas as suas formas, é roubo e portanto, pecado.

Um abraço,

Leon Neto