O Programa do Raul Gil, já faz um certo tempo, vem investindo no filão dos shows de calouros. Chegou mesmo a revelar cantores de sucesso como o Robson “Anjinho” Monteiro que andou no topo da lista dos mais vendidos por bastante tempo.

Dia desses me deparei com um clipe do programa “Jovens Talentos Kids”, também de Raul Gil, com um menino de doze anos de idade cantando “Agnus Dei” de Michael W. Smith. Bem afinado e talentoso, o cantor-mirim chamou a atenção até mesmo do próprio Michael, que postou uma mensagem no twitter elogiando a performance do rapazinho.

Assisti ao vídeo varias vezes e, claro que gostei da voz e da interpretação de Jotta A., mas o que mais impressionou mesmo foi a sua idade. Fiquei pensando em se não está cedo demais para entrar no meio musical e sair mundo à fora começando uma carreira artística.

Seja na música ou no cinema temos diversos exemplos de crianças que fizeram sucesso muito rápido e depois acabaram enveredando pelo caminho das drogas e da bebida. Basta lembrar de Tatum O’Neal que aos 10 anos foi a mais jovem vencedora do Oscar, marca até hoje não superada, mas que pouco depois acabou vivendo períodos turbulentos em sua vida e terminou por perder a guarda dos seus filhos com o tenista John McEnroe. Também podemos lembrar de Danny Bonaduce que nos anos 70 fez um enorme sucesso vivendo o garotinho ruivo e sardento da série “Familia Dó-Ré-Mi”, que também se envolveu com drogas muito cedo e passou vários anos em desequilíbrio emocional até se recuperar. E claro, o maior exemplo de todos é o recém falecido rei do pop, Michael Jackson que aos cinco anos já era sucesso mundial com a banda formada pelos seus irmãos Jackson 5. Nem é preciso falar muito da deteriorização física e emocional desse talentosíssimo cantor, que o mundo acompanhou passo a passo até sua morte prematura e desnecessária.

Não sei se Jotta A. vai chegar à tanto; ainda é muito cedo pra afirmar qualquer coisa e até o momento ele não fez tanto sucesso assim. Talento certamente ele tem, mas isso não é tudo. Os que começam cedo e conseguem consolidar uma carreira artística, normalmente são bem assessorados por empresários e familiares que traçam os planos e conduzem os passos destes que mal sabem decidir por si mesmos. É necessário ter uma base emocional muito solida para não entrar em parafuso, principalmente quando o inevitável encontro com o fracasso acontece.

Acho que é até possível que uma criança possa ter um desenvolvimento normal conciliando a infância com uma carreira artística, mas os riscos são muito grandes. Em muitos casos, e talvez na maioria, os talentos mirins acabam tentando a sorte no show business mais por conta dos pais, seja por ambições financeiras ou por quererem sublimar suas próprias frustrações. E aí, as maiores vitimas terminam sendo os próprios filhos.

Pessoalmente não vou estimular minha filha de forma alguma a ingressar no meio artístico muito cedo. Minha prioridade não é que ela seja famosa ou rica, mas simplesmente, que ela seja feliz e tenha uma vida equilibrada. Vou fazer de tudo para que ela tenha uma infância normal e não pule nenhuma etapa do seu desenvolvimento, ainda que tenha que abrir mão de contratos lucrativos. E só se ela quiser, e quiser muito, entrar nesse meio, é que eu vou pensar no caso eventualmente. Mas, lá no fundo, para ser bem sincero, nutro a esperança de que ela termine se interessando mais por biologia do que por música.

Um abraço,

Leon Neto

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