Em Wadi al-Nassara, um vale do oeste da Síria salpicado de povoados cristãos, a população pede ao Exército do presidente Bashar al-Assad que os proteja da ameaça jihadista.

Em Marmarita, que já foi um famoso local de veraneio, os retratos dos “mártires” estão pregados nas paredes de pedra, e os laços de seda branca decoram as ruas em sinal de luto. Fotografias do presidente Al-Assad, contra quem os rebeldes lutam há quase dois anos e meio, estão presentes em quase toda parte.

Marmarita é um dos inúmeros povoados cristãos situados perto do Crack dos Cavaleiros, uma cidadela medieval hoje nas mãos dos rebeldes. Nessas cidades, que contam com 50 mil cristãos, os habitantes formaram Comitês de Defesa Popular, com autorização do regime.

Em 15 de agosto, rebeldes procedentes do povoado vizinho sunita Al-Hosn, onde fica a fortaleza, atacaram os postos dos Comitês e mataram cinco de seus integrantes, além de seis civis.

Na sala de sua casa, a mãe de Jacques Saade, assassinado no ataque, pendurou uma foto gigante de seu filho vestido com uniforme militar e com a bandeira nacional vermelha, branca e de fundo preto.

“Jacques nos defendia contra os que nos desejam mal”, diz ela, aos prantos, vestida de preto.

“Meu filho morreu como um mártir”, sentencia.

“Que o Estado ganhe e que Deus proteja Bashar (al-Assad)”, implora Isa Saade, seu marido, garantindo que nunca deixará sua cidade, alvo dos opositores ao regime.

“Queremos que o Exército nos ajude a nos protegermos”, pede Marta, irmã de Jacques.

“Pedimos ao Estado que envie o Exército para nos proteger dos homens armados que matam nossos jovens e nossas crianças”, pede essa mulher de 40 anos, também vestida de preto e com o cabelo preso em um coque.

— “Esta é a liberdade?” —

Segundo Isa Yazigi, que também perdeu o filho no ataque, a maioria dos habitantes de Al-Hosn foi embora. “São os grupos extremistas que estão aqui, que nos ameaçam e que querem nos tirar de Marmarita”.

Em uma nota, a oposição síria pediu aos moradores da região que defendam a “revolução”.

“Pedimos aos nossos parentes na costa e na montanha (…) que sejam solidários com os objetivos da revolução, para por fim às décadas de despotismo”, declarou a Coalizão Nacional Síria, principal grupo da oposição.

A coalizão também pediu aos moradores que sejam “conscientes das mentiras divulgadas pelo regime que diz proteger as minorias (…) quando, de fato, o regime as utiliza como reféns para defender o clã (de Assad) que mancha o país de sangue”.

Para esses cristãos, porém, o maior inimigo são os jihadistas, principalmente o grupo sunita extremista Al-Nosra que se aliou aos rebeldes.

“Vieram e bloquearam as estradas. É a Frente Al Nosra, são aterrorizantes”, diz a mãe de Sumer Yazigi, que também morreu em 15 de agosto.

“É esta a liberdade que querem os revolucionários?”, questiona.

“Queremos que o Estado nos proteja” dos rebeldes entrincheirados na fortaleza. “Muitos dos nossos jovens morreram, já chega!”, reclama.

Seu marido garante que “são os jihadistas (…) que ameaçam tomar o vale”.

Outros moradores contaram que a estrada principal que leva ao povoado está “sob o fogo dos rebeldes que se entrincheiraram na fortaleza”.

“Eles atiram quando passamos”, disse um deles.

Muitos cristãos, uma comunidade que representa 5% da população síria, apoiam o regime de Bashar al-Assad por medo dos jihadistas e do peso que eles têm na rebelião.

[b]Fonte: AFP[/b]