“A ‘aliya’ [emigração judia para Israel] não é só o objetivo histórico supremo de nosso Estado, mas uma necessidade de primeira ordem para nossa segurança.” As palavras que o primeiro-ministro David Ben Gurion pronunciou em um discurso no Knesset [Parlamento de Israel] em 1955 continuam hoje mais válidas que nunca, a julgar pelos esforços israelenses para atrair judeus de todo o mundo.

Esses esforços, em forma de todo tipo de incentivos, deram seus frutos este ano, em que a crise financeira animou milhares de judeus de todo o mundo a instalar-se em Israel.

Em consequência, pela primeira vez em uma década, o número de imigrantes judeus no país experimentou um forte aumento diante da tendência declinante dos últimos anos, segundo os últimos dados da Agência Judia, encarregada de promover esse tipo de imigração, e do Ministério de Absorção. A demografia nessa zona disputada do mundo é uma questão política de primeira ordem que preocupou sucessivos governos israelenses, diante do forte crescimento da população árabe. Esta semana aterrissou em Tel Aviv mais um avião com 210 americanos a bordo, e na pista os esperava uma recepção oficial com todas as honras.

“Cada imigrante que chega a Israel fortalece o país e constitui um ativo estratégico”, afirmou o presidente da Agência Judia, Natan Sharansky, durante a apresentação das últimas estatísticas há alguns dias, que refletem um aumento de imigrantes judeus de 17% em 2009 em relação ao ano anterior. Ao todo, assentaram-se em Israel 16.200 judeus, que se somam aos mais de 3 milhões de imigrados desde 1948, data da criação do Estado.

Os ideais religiosos e sionistas continuam ocupando lugar de destaque entre os motivos dos imigrantes. Mas também explicam que as ajudas que o governo israelense oferece às vezes são decisivas na hora de tomar a decisão, sobretudo quando a crise financeira aumenta em boa parte do mundo.

“A crise criou novas necessidades e o Estado de Israel facilita o caminho para que as pessoas decidam vir. Todo judeu tem de viver na Terra Santa. Nós damos liberdade a cada um para que decida o que desejar, mas também facilitamos esse desejo”, explica o diretor geral de Imigração e Absorção da Agência Judia, Eli Cohen.

O governo israelense oferece aos que vêm a chamada “cesta de absorção”, com dinheiro para alugar uma moradia nos primeiros meses e aulas de hebraico para a família, além de programas de emprego especiais para doutores ou professores, junto com as facilidades do chamado tapete vermelho, o programa através do qual os que chegam conseguem carteira de identidade, conta em banco e telefone em 24 horas, evitando a burocracia. Mas talvez o incentivo mais eficaz seja a recém-instaurada isenção fiscal de dez anos para as receitas obtidas no exterior.

“Sem essas vantagens fiscais eu não teria me animado a vir. Tenho aluguéis de meu apartamento na França e na verdade…”, admite Serge Buzagou, que há alguns meses deixou Paris para se instalar perto de Tel Aviv. Com a chegada da crise, os clientes deixaram de comprar em sua loja de tecidos em Paris e, animado por seus ideais sionistas, finalmente decidiu emigrar. “Aqui a crise foi menos notada e embora o mercado nacional seja menor que na França, como a escola das crianças é grátis e a vida mais barata, no final compensa”, diz Buzagou, 48 anos, em seu apartamento com vista para o mar.

Enquanto isso, as centenas de milhares de palestinos que em 1948 foram expulsos ou fugiram do avanço das tropas israelenses de suas casas, hoje em território israelense, não tiveram nem têm o direito de voltar a suas casas. Até hoje, mais de 4 milhões daqueles expulsos e seus descendentes vivem amontoados em campos de refugiados em Gaza, na Cisjordânia e em países vizinhos.

Fonte: El Pais