Dezenas de homossexuais e simpatizantes do movimento gay fizeram no começo da tarde desta quarta-feira (19) uma manifestação em frente à Catedral Metropolitana, no centro de Porto Alegre, para protestar contra declarações do arcebispo da capital gaúcha, Dom Dadeus Grings, que disse que a “sociedade é pedófila” e que “o adolescente é espontaneamente homossexual”.

Dadeus fez essas declarações em 4 de maio, em assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília. “Quando começa a (dizer) que eles (homossexuais) têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos”, afirmou Dom Dadeus.

Munidos de apitos, faixas de protesto e carro de som, representantes de ONGs criticaram o que qualificaram de preconceito da Igreja Católica contra os homossexuais.

Durante a manifestação, o coordenador da ONG Nuances que promove o protesto, Célio Golin, disse que não esperava que o movimento fosse recebido pelo arcebispo. “Estamos fazendo este protesto aqui na frente da catedral porque ela representa o poder simbólico da Igreja Católica, que vem fazendo associação entre homossexualidade e pedofilia, que diz que se tivermos direitos, a família entra em colapso”, afirmou.

Golin também criticou o que considerou uma baixa adesão dos homossexuais ao protesto – segundo cálculo de um soldado da Brigada Militar, havia entre 60 e 80 manifestantes no local. “As bichas (sic) não são politizadas. Se é na parada (gay), vem todo mundo”, reclamou.

Claudete Costa, da ONG LBL (Lésbicas Feministas), disse respeitar a Igreja Católica como instituição, mas, segundo ela, isso não a impede de lutar pelos direitos dos homossexuais. “Duvido que Deus tivesse preconceito”, afirmou. A manifestação foi pacífica e durou cerca de uma hora. Segundo a secretária da paróquia, Lenedi Ferreira, o arcebispo não se encontrava na catedral no momento do protesto.

Essa não é a primeira manifestação do arcebispo dom Dadeus Grings que gera polêmica. Em 2009, o arcebispo teria dito, em entrevista a uma revista especializada em publicidade, que “morreram mais católicos do que judeus no holocausto, mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo”. À época, a declaração gerou críticas de representantes de entidades israelitas.

Fonte: UOL