Pastores provam que Igreja estatal da Inglaterra tem mais de R$ 5.5 bi em investimentos financeiros.

A Igreja Episcopal Anglicana é a igreja estatal na Inglaterra, ligada diretamente ao governo. Trata-se de uma das mais antigas denominações do mundo. Entre os muitos aspectos distintivos das demais igrejas evangélicas está a maneira como ela investe o seu dinheiro.

Por diversas vezes essa questão gerou polêmica entre os fieis. Um protesto feito esta semana em Londres, durante a DSEI a maior feira de armamento do mundo, ajudou a rescender a discussão. A sigla em inglês é a abreviação para Defence Systems and Equipment International, onde vende-se de tudo, de armas até helicópteros e porta-aviões.

Entre as centenas de empresas que negociam armamentos está a gigante General Electric (GE), que tem operações no ramo de armamentos com sua subsidiária General Aviation. A denúncia que abalou o evento é que um Fundo de Pensões da Igreja Anglicana investiu 10 milhões de libras na GE [cerca de R$ 35 milhões].

Os líderes da igreja estão sendo acusados de lucrar com os conflitos que ocorrem em diversas partes do mundo, incluindo Afeganistão e Síria. Em nota oficial, emitida ontem (9), a Igreja Anglicana defendeu-se, alegando que a GE produz principalmente eletrodomésticos, material de iluminação e usinas de energia. Menos de 3% dos negócios da GE estão relacionados com a produção de armamentos.

A General Aviation é uma das maiores fornecedoras de “sistemas e tecnologias integradas” para aviões de combate, de transporte militar, helicópteros, veículos terrestres e veículos aéreos não tripulados (drones). A receita da GE no ano passado foi de aproximadamente US$ 4 bilhões [quase R$ 10 bi]. Ela fabrica o caça F101, amplamente usado em combate no Afeganistão e no Iraque. Trata-se de um “bombardeiro nuclear estratégico”, que foi modificado para levar uma “grande variedade de armas convencionais”, segundo o site da GE.

Obviamente muitos líderes e membros da igreja reagiram com indignação à notícia. Keith Hebden, um pastor anglicano que foi preso no início deste ano por invadir a central de controle dos drones ingleses usados ​​no Afeganistão, foi um dos mais contundentes.

“A politica financeira da Igreja da Inglaterra está errada…. Para lucrar nós vamos acabar… querendo que ocorram guerras”. Já o pastor batista Symon Hill, que faz parte do grupo pacifista inglês Christianity Uncut, disse: “Investimentos desse tipo não estão em conformidade com o espírito da Igreja”.

Ele aproveitou para lembrar as palavras de Jesus no Sermão do Monte: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt. 6. 21). Hebden e Hill são apoiadores da Campaign Against Arms Trade [campanha contra o comércio de armas], uma conhecida ONG pacifista inglesa.

Esse é o segundo grande escândalo financeiro da Igreja Anglicana este ano, o primeiro foi sua participação na Wonga, empresa de empréstimos conhecida pelos juros abusivos, chamada no Reino Unido de “agiotagem legalizada”.

Quando assumiu a liderança da Igreja Anglicana este ano, o arcebispo Justin Welby, 57, prometeu rever as regras de investimento do dinheiro da Igreja. Antes do trabalho eclesiástico, Welby trabalhou 11 anos como gerente financeiro na indústria do petróleo. Ele certamente sabe que a questão maior não é o quanto a igreja tem investido no mercado financeiro, mas como esses investimentos estão relacionados com os princípios defendidos por ela. Certamente agiotagem e guerra não seriam as escolhas dos cerca de 80 milhões de fieis anglicanos espalhados pelo mundo.

Os pastores Hebden e Hill denunciam que a Igreja estatal da Inglaterra tem um passivo de mais de 5 bilhões e meio de libras, sendo que seus investimentos em empresas das mais diversas áreas chega a um bilhão e meio de libras [R$ 5,5 bi]. Para eles, a maior parte do dinheiro deveria ser usada imediatamente para obras de caridade e evangelização.

Em março deste ano uma situação igualmente chocante foi revelada, mostrando versículos gravados em armas usadas por soldados americanos e ingleses.

[b]Fonte: Gospel Prime com informações de Ekklesia e Independent.[/b]