O líder da Igreja Ortodoxa da Geórgia, Ilia 2º, lamentou nesta segunda-feira a morte do patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Alexis 2º, na última sexta-feira (5). Ilia 2º disse que espera que as relações entre a Geórgia e a Rússia melhorem depois dos enfrentamentos em agosto deste ano.

Ilia 2º esteve presente na manhã desta segunda-feira na cerimônia em homenagem a morte de Alexis 2º. O líder da Geórgia afirmou ainda que depois das batalhas entre os dois países, a Rússia e a Geórgia irão retornar “aos laços fraternais e amistosos”.

O cristianismo ortodoxo é a religião dominante na Rússia e na Geórgia. Alexis 2º, patriarca russo desde junho de 1990, sofreu durante os últimos anos graves problemas de saúde. Em meados do ano passado, circularam rumores de que tinha falecido.

Segundo a imprensa russa, o possível sucessor será o metropolita Kiril, de Smolensk e Kaliningrado, chefe do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas do Patriarcado de Moscou e que recentemente se reuniu com o ex-ditador cubano, Fidel Castro, em Havana.

Alexis 2º nasceu em Tallinn, na Estônia. Filho de um sacerdote ortodoxo, ele foi ordenado diácono em 1950. Em 1961 se tornou bispo de Tallinn e em 23 de junho de 1964 foi nomeado arcebispo. Com apenas 39 anos, em 25 de fevereiro de 1968, foi designado arcebispo metropolita. Com a morte do então líder da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Pimen 1º em 1990, Alexis 2º se tornou seu sucessor.

Histórico

O conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul começou em 1922, quando Josef Stalin (1879-1953) transformou a região separatista em Região Autônoma da República Socialista Soviética da Geórgia e deu à área a planície adjacente, incluindo Tskhinvali, habitada principalmente por georgianos.

Em 10 de novembro de 1989, o Congresso de Deputados Populares da região proclamou sua conversão em República Autônoma (dentro da Geórgia), decisão que o Parlamento georgiano declarou inconstitucional. No ano seguinte, em 20 de setembro, os deputados proclamaram a soberania e a criação da República da Ossétia do Sul.

No início dos anos 90, a República proclamou sua independência da Geórgia em um acordo de paz que, contudo, não evitou o país de manter tropas na região. A Rússia, que intermediou acordos de cessar-fogo, tem mantido negociadores de paz na região para garantir a soberania da Ossétia do Sul.

Toda a tensão entre Ossétia do Sul, Rússia e Geórgia ganhou força depois da Revolução Rosa, que levou Mikhail Saakashvili à Presidência da Geórgia, em janeiro de 2004.

Saakashvili, aliado dos Estados Unidos, prometeu reconstruir o país e aproximá-lo do Ocidente, o que irritou a Rússia. Nos últimos anos, o presidente georgiano tem acusado a Rússia de apoiar as regiões para sabotar o seu governo. Moscou nega as alegações. Em 2006, o Parlamento da Geórgia acusou a Rússia de tentar anexar as regiões, e Saakashvili chegou a levar a denúncia às Nações Unidas.

Na Geórgia, além dos conflitos com os separatistas, a violência interna tem crescido devido às condições econômicas da região, em declínio desde o colapso da União Soviética em 1991.

Fonte: Folha Online