A Igreja Católica do Uruguai se comprometeu a atuar com maior rigor na seleção dos candidatos ao sacerdócio, medida anunciada nesta quinta-feira pela imprensa local e adotada após os casos de pedofilia denunciados recentemente em todo o mundo.

Trata-se de “um mínimo discernimento” e pede-se aos aspirantes “certa formação básica”, porque o processo é “complexo”, esclareceu o secretário-geral da Conferência Episcopal do Uruguai, Eriberto Bodeant, ao jornal “Ultimas Noticias”.

Bodeant, bispo da cidade uruguaia de Melo, explicou que o teste psicológico, que será aplicado, buscará identificar “as possíveis patologias, dado que a personalidade é muito complexa e, às vezes, um aspecto patológico que pode passar despercebido”.

A medida foi anunciada após padres e sacerdotes serem denunciados e em alguns casos já condenados em mais de 20 países sob a acusação de terem cometido abusos sexuais. Também foi proposta depois que, em abril passado, a Conferência Episcopal Uruguaia fez um pedido para que os religiosos se “aprofundem” na vocação.

Chile

Por outro lado, no Chile, nesta quinta-feira foram incorporadas três novas denúncias contra o religioso Fernando Karadima, que deixou de ser pároco de El Bosque em setembro de 2006 e já tinha sido acusado por outras quatro pessoas.

Segundo revelou o jornal “El Mercurio”, os novos casos estavam sendo mantidos em absoluta reserva. A publicação esclareceu ainda que o promotor designado pelo Vaticano, o sacerdote Fermín Donoso, terminou a fase investigativa do processo eclesiástico e a entregou ao arcebispo de Santiago, Dom Francisco Javier Errázuriz.

Os advogados de Karadima têm até 20 de maio para entregar os antecedentes da defesa à Igreja. Quando o Errázuriz tiver tal informação, deverá remeter o informe elaborado por Donoso à Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por julgamentos desse tipo.

De acordo com o jornal chileno, há quatro meses o sacerdote encarregado do caso interrogou Karadima. Naquela época, as denúncias ainda não haviam se tornado públicas.

As primeiras investigações divulgadas referiam-se aos supostos abusos do médico James Hamilton, do advogado Fernando Batlle, do jornalista Juan Carlos Cruz e do filósofo José Andrés Murillo, que foi noviço da Companhia de Jesus.

Fonte: Folha Online