Líderes eclesiásticos disseram que muçulmanos extremistas surpreenderam oficiais de polícia que providenciavam refúgio para uma cristã não identificada em Izom, Estado de Niger, em 28 de junho. Eles a agrediram e a apedrejaram até a morte por fazer evangelismo de rua.

David Atabo, da Igreja Católica Romana em Izom, disse que testemunhou a morte da mulher. Ele contou que ela havia encontrado um grupo de jovens muçulmanos. A cristã compartilhou o evangelho com eles e lhes deu alguns folhetos para ler.

“Assim que a mulher saiu, alguns muçulmanos mais velhos aguardavam para saber dos jovens o que a mulher tinha dito a eles”, disse David. “Quando eles souberam que a mulher tinha pregado para os rapazes, alegaram que ela insultou Maomé, o profeta do islã, e determinaram que a mulher precisava ser morta”.

David disse que as afirmações dos líderes muçulmanos motivaram centenas de muçulmanos a sair para as ruas a fim de capturar a mulher. Eles a alcançaram nas proximidades da região do rio Gurara e começaram a espancá-la, mas a polícia a resgatou.

Para proteger a cristã, os oficiais a levaram sob custódia para a delegacia de Izom. Mas a multidão incontrolável invadiu o local, exigindo que a mulher fosse libertada para ser apedrejada até a morte, de acordo com o determinado pela lei islâmica sharia. Do contrário, eles iriam incendiar a delegacia.

“A polícia, percebendo que a multidão estava decidida, fizeram com que a mulher saísse pela porta dos fundos para escapar com ela, mas os muçulmanos bloquearam todos os trajetos de fuga. Nesse ponto, os policiais abandonaram a mulher para salvar suas próprias vidas”, contou David Atabo. “Ela apanhou até morrer”.

Posteriormente, a polícia removeu o corpo da mulher para o necrotério do hospital estadual de Suleja. David acrescentou que três policiais ficaram feridos durante o tumulto.

Identidade desconhecida

Os líderes cristãos de Izom disseram estar incomodados com o fato de a polícia não ter identificado a mulher.

“Essa mulher foi morta antes que a polícia pudesse identificá-la ou mesmo interrogá-la”, disse David. “Nós também temos tentado descobrir de que igreja ela veio, mas ainda não obtivemos sucesso”.

Os líderes cristãos da região suspeitam que a mulher assassinada possa ter vindo da vizinha cidade de Suleja.

David Atabo é o presidente do capítulo local da Associação Cristã da Nigéria na cidade de Izom. Ele disse que os muçulmanos alegaram que a cristã deixou cair um papel contendo anotações depreciativas sobre Maomé.

Entretanto, quando ele pediu permissão à polícia para ver o tal papel, “não havia nada parecido”, afirmou.

Daniel Mazuri, pastor da Igreja Boas Novas, ligada à Igreja Evangélica da África Ocidental (ECWA, sigla em inglês), em Izom, disse que os que testemunharam o incidente contaram que os muçulmanos interpelaram a mulher e a acusaram de insultar Maomé. Os muçulmanos alegaram que ela deixou cair uma carta em uma mesquita, ele disse, mas amigos seus na polícia disseram que isso era falso.

“Acredito que os muçulmanos queriam apenas acender uma crise religiosa nessa cidade”, disse o pastor Daniel ao Compass. “Isso é muito prejudicial e abriu uma porta para conflitos religiosos intermináveis”.

Daniel disse que suas investigações levaram à conclusão de que os muçulmanos plantaram o papel no intuito de criar uma crise religiosa na cidade.

“Eles são conhecidos por essa atitude e não estamos surpresos com o que aconteceu”, ele disse.

O reverendo Tanko Mandaki, da ECWA de Hausa, também concluiu que os muçulmanos planejaram o ataque com o objetivo de começar uma crise em Izom.

“Estamos conscientes das farsas dos muçulmanos”, ele disse. “Eles sempre foram bons em fabricar enganos e depois justificar suas ações com base em mentiras.”

Primeira fatalidade

É comum na Nigéria encontrar cristãos engajados no evangelismo de rua – pregando o evangelho em mercados, ônibus e trens. Acredita-se que os muçulmanos constituam metade dos moradores da cidade de Izom, na região de Gurara.

A morte de uma cristã desconhecida marca a primeira fatalidade do sistema legal islâmico de Niger, introduzido em 2000. Niger é um dos 12 Estados que implementou a sharia no norte da Nigéria.

“Esperamos que a polícia consiga descobrir a identidade dessa mulher ou que alguém conhecido dela faça contato conosco em breve”, disse David Atabo.

Há nove igrejas na cidade de Izom, incluindo a Católica Romana, a ECWA, Missão Comunidade Cristã, Igreja da Nigéria (Anglicana), Igreja Apostólica, Igreja Batista e Igreja Bíblica Vida Profunda.

Fonte: Portas Abertas