As 401 crianças retiradas entre sábado e segunda do rancho de uma seita polígama no Texas são vítimas de violência ou estão sob risco iminente de abusos, afirmou ontem o serviço de proteção ao menor, que assumiu a guarda dos pequenos.

As 133 mulheres, que segundo a polícia deixaram a comunidade voluntariamente, também estão sob proteção judicial.

O rancho foi invadido no final de semana, após denúncia de uma jovem de 16 anos. Sétima esposa de Dale Barlow, 50, ela contou ter sido espancada pelo marido, com quem tem um bebê de oito meses -o casamento com menores de 16 é ilegal no Texas.

As buscas continuam, mas Barlow, sua jovem esposa grávida e o bebê não foram encontrados. Ontem um segundo membro da seita foi preso acusado de tentar impedir o trabalho da polícia.

A Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dissidência radical dos mórmons, já foi processada por promover casamentos entre adolescentes e homens adultos. No rancho, organizava uma comunidade semi-autônoma, que reproduzia parcialmente a vida rural do século 18.

Para as autoridades estaduais, a aparência bucólica escondia um padrão sistemático de abusos.

Alimentadas com produtos naturais do próprio rancho e sem acesso a TV ou rádio, as crianças foram descritas como “saudáveis” e “um pouco arredias”, devido ao isolamento. As mulheres não podiam cortar o cabelo e costuravam suas próprias roupas, inspiradas nos vestidos dos pioneiros que se assentaram nos EUA. Não podiam dirigir nem deixar o rancho sem permissão do marido.

Fonte: Folha de São Paulo