O Tribunal de Grande Instância de Lille, na França, anulou um casamento em abril porque a noiva teria mentido sobre sua virgindade, segundo informou hoje a revista “Recueil Dalloz”.

O tribunal justificou sua decisão alegando “erros nas qualidades essenciais de um cônjuge”, já que a esposa, uma mulher muçulmana, garantiu ao marido que era virgem. No entanto, apenas na noite de núpcias o homem descobriu que ela havia mentido.

Guillaume Didier, porta-voz do Ministério da Justiça francês, afirmou que não se lembra de outro caso semelhante.

Didier garantiu que a decisão “não foi inspirada na moral, apenas puniu a mentira”. Segundo o porta-voz, a anulação se baseou em um “elemento de personalidade indispensável aos olhos do cônjuge, sem o qual ele não se teria casado”.

A escritora e filósofa francesa Elisabeth Badinter se disse “envergonhada” pela decisão da Justiça e afirmou estar “revoltada” pelo fato de o tribunal “ter aceitado julgar o caso, pois a sexualidade é um assunto privado na França”.

Badinter disse que casos assim fazem com que “cresça o número de jovens muçulmanas que vão aos hospitais para fazer a reconstrução do hímen” e que a decisão judicial “acentua a pressão sobre elas”.

Fonte: EFE