O arcebispo de Florianópolis (SC) e presidente da Regional Sul da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Murilo Krieger, defendeu ontem o direito de o TCU (Tribunal Contas da União) fiscalizar o dinheiro das centrais sindicais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou na semana passada uma emenda que atribuía ao tribunal a fiscalização.

“Quem não deve não teme. Isto vale para os sindicatos e vale para os cartões corporativos. Por que ter medo de apresentar [as contas] publicamente?”, disse o bispo de Florianópolis, após ser questionado pela Folha sobre o tema durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Indaiatuba (SP).

Dom Murilo disse que considera “fundamental” haver mais transparência nas contas das centrais sindicais.

“Eu penso que a transparência é fundamental, especialmente quando a fonte do dinheiro é o trabalho do povo. Se o dinheiro fosse fonte de uma renda particular é uma coisa, mas, se o dinheiro vem do trabalhador, eu penso que é importante que haja uma prestação clara”, disse d. Murilo.

Em março, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que regulamenta as centrais sindicais. O texto previa que o TCU passaria a fiscalizar o uso do dinheiro arrecadado com o imposto sindical.

Na tentativa de justificar o veto, Lula relembrou, na terça, seu passado sindicalista. “Aí, na hora em que vieram me trazer para assinar, eu me lembrei que passei 30 anos da minha vida lutando por liberdade e autonomia sindical, e eu não podia compactuar com o fato de tirar do Ministério do Trabalho e colocar no Tribunal de Contas da União, para ficar fiscalizando o sindicato.”

Hoje, o deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), autor da emenda, disse que seu partido deve entrar na semana que vem com uma ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a justificativa dada pelo presidente Lula para vetar a emenda.

Segundo o deputado, “o presidente Lula cedeu à pressão dos sindicatos e vetou o artigo”. O parlamentar disse que Lula está se comportando como líder sindical. “Está dando um cheque em branco para a bandidagem. Vão se sentir agora acima do bem e do mal. É uma loucura, pois se trata de um reforço de caixa anual de R$ 100 milhões, vindos da contribuição sindical obrigatória, mas que estão livras da fiscalização do TCU.”

Fonte: Estadão