O vereador Pastor Sérgio (PMDB) usou a palavra na manhã desta terça-feira, na Câmara de Campo Grande, para questionar a postura da Igreja Católica no que se refere à punição de seus membros envolvidos em escândalos de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

O vereador fez uma comparação entre a atitude da Igreja Católica e da Igreja Universal do Reio de Deus (da qual é pastor). Segundo Pastor Sérgio, a Universal não se furta a julgar e punir seus integrantes quando estes cometem delitos de conduta, além de divulgar estas punições ao público.

“Quem leu a biografia do bispo Edir Macedo viu que a Igreja Universal não tem problemas quanto a isso. Quando um pastor erra, ele é punido, ele é excluído do quadro de pastores. Um exemplo claro aconteceu aqui mesmo em Campo Grande, quando um pastor que foi parlamentar errou, foi punido e afastado. E tomo a liberdade de cobrar a mesma atitude da Igreja Católica. Até mesmo sobre aquilo que mostra a matéria de 1º de julho de 2007 de uma revista italiana que critica a lerdeza do Vaticano em punir padres pedófilos”, afirmou Sérgio.

O vereador questionou mais a fundo: “Quando um pastor da Igreja Universal erra, peca, é excluído do quadro de pastores até que seja provada a sua inocência. Porque o Vaticano não pode fazer o mesmo? Digo isso, pois diversos católicos praticantes tementes a Deus olham para a atitude do Papa e se questionam o porque de não ocorrerem às punições. Porque os que erram não são excluídos? São coisas que nos causam profunda tristeza”.

O pronunciamento do vereador Pastor Sérgio gerou a reação de diversos vereadores. O petista Marcos Alex (que também professa a fé evangélica), destacou a integridade da Universal, mas se disse pouco à vontade com as críticas a Igreja Católica: “Sou evangélico, mas não posso deixar de reconhecer o trabalho espiritual e social que a Igreja Católica presta. A igreja católica esta vivendo seus problemas e seu drama e não podemos adotar a postura de atirar pedras”, afirmou. Em reposta, Pastor Sérgio assegurou que não era sua intenção criticar a Igreja Católica como instituição, mas a falta de rigor nas punições.

O vereador Celso Ianaze (PMDB), também aparteou. Elogiou o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Bispo Edir Macedo, por ter, em sua biografia, se colocado a favor do aborto, das pesquisas com embriões e dos métodos contraceptivos. Mas defendeu a Igreja Católica: “A igreja, quando tem um propósito, ela é firme neste propósito”.

O vereador Alcides Bernal (PP) disse ter lido a biografia de Edir Macedo e elevou a ação da Universal: “Vejo no trabalho dele (do bispo Edir Macedo) um trabalho interessante, é a fé inteligente que resgata ao ser humano à vontade de não se dobrar as dificuldades”. No entanto, Bernal pediu cuidado aos vereadores ao tratarem da fé: “Faço um parêntese para dizer que não podemos criticar a devoção de quem quiser que seja. Cada qual dentro daquilo que entende que é correto”.

O petista Cabo Almi criticou a abordagem do assunto: “Vossa excelência entra num campo onde pretende discutir a religião católica. Para este tema de punições existe uma constituição, um código penal, existe toda uma legislação que está acima deste debate”, argumentou.

O último a apartear foi o representante da Igreja Católica no legislativo municipal, vereador Paulo Siufi (PMDB), que disse discordar das alegações de Pastor Sérgio: “Não posso concordar quando o senhor diz que a minha Igreja Católica peca e erra por não julgar seus membros que erram. Ela tem, sim, feito seu papel neste sentido. Nos Estados Unidos, bispos e sacerdotes que cometeram abusos foram julgados e punidos. Aqui em Mato Grosso do Sul tivemos também padres que cometeram excessos e foram julgados e punidos”, alegou. Siufi disse ainda ter a certeza de que Sérgio “colocou de forma errônea um tema importante e delicado”, e concluiu “Quem não tem pecado que atire a primeira pedra”.

Fonte: MS Notícias