O líder cristão evangélico Ted Haggard (foto), que há três meses escandalizou os Estados Unidos quando veio a público sua relação homossexual com um garoto de programa, voltou a surpreender ao anunciar que, após um tratamento intensivo, se tornou “completamente heterossexual”.

Tim Ralph, que afastou Haggard quando o evangélico pediu demissão da Presidência da Associação Nacional de Evangélicos dos EUA, disse ao jornal “Denver Post” que o pastor “descobriu” que “é completamente heterossexual”.

A descoberta teria ocorrido após três semanas de tratamento emocional intensivo supervisionado por uma comissão, acrescentou Ralph.

Em um e-mail publicado esta semana pelo jornal local de Colorado Springs “The Gazette” e encaminhado a membros de sua antiga congregação, a Igreja da Nova Vida em Colorado, Haggard afirmou que as três semanas de tratamento pareceram “três anos de análise e tratamento”.

Segundo Haggard, que antes do escândalo era famoso por suas polêmicas declarações na televisão contra o casamento homossexual, o contato sexual com homens em toda sua vida “se limitou” a Mike Jones, um gay a quem pagava para ter relações.

No entanto, Haggard afirmou que, por causa do tratamento, “Jesus tornou possível um reencontro” consigo mesmo.

Mas o “sucesso” desse tratamento é alvo de dúvidas por parte de organizações homossexuais e pelo próprio Jones.

“Custa-me crer que tenha se ‘recuperado’ em três semanas quando praticamos sexo oral por três anos”, disse Jones em comunicado divulgado pela Força Nacional de Gays e Lésbicas.

No mesmo comunicado, Matt Foreman, diretor desta organização, disse que “o que Haggard está fazendo é o mesmo que todos pastores fazem quando são descobertos com as calças arriadas: dizem que foram vítimas de um erro pessoal”.

“É uma maneira de aliar hipocrisia e religião: tiram vantagem de sua posição e, obviamente, tentam manter vigentes os dogmas de seu grupo”, disse à Efe Héctor Torres, que trabalhou como voluntário arrecadando fundos para doentes de aids. “O guepardo nunca perde suas manchas”, acrescentou Torres.

Ted Haggard, casado e com cinco filhos, renunciou ao seu cargo após ter sido acusado por Jones de ter pagado ao garoto de programa durante três anos para manter relações sexuais.

Jones disse que se sentiu “traído” após saber que Art, como Haggard gostava de ser chamado, era um conhecido pastor evangélico contrário ao casamento homossexual.

Haggard, que inicialmente negou as acusações, enviou uma carta a sua congregação da Igreja da Nova Vida no Colorado em que admitiu ser “culpado de imoralidade sexual”.

O assunto, que veio à tona dias antes das eleições legislativas de novembro nos EUA, teve reflexos inclusive na Casa Branca, que se viu obrigada a enfatizar que o pastor “participou de um par de conferências telefônicas” com líderes evangélicos.

A Associação Nacional de Evangélicos dos EUA, que possui 30 milhões de fiéis, ainda tenta absorver o impacto.

Em uma conversa telefônica com a Efe, James Ramsak, que pertence à Igreja evangélica de Manassas (Virginia), disse que “há um certo grau de desilusão devido ao fato de que uma pessoa com seu status tenha tido este tipo de comportamento”.

“Quando qualquer líder espiritual se vê envolvido em atitudes que contrariam o que pregam, provoca certo desânimo em sua comunidade”, acrescentou Ramsak.

Enquanto isso, Ralph deixou em aberto a possibilidade de Haggard retomar suas atividades eclesiásticas.

“Ninguém está dizendo que não voltará ao sacerdócio”, disse Ralph. “Em algum momento, isto poderá acontecer, e seria maravilhoso”, acrescentou.

Fonte: EFE