O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer, disse que a entidade não vai se posicionar quanto à transposição do rio São Francisco.

Ele considera que atitudes contrárias à obra refletem uma posição pessoal, e não a opinião da Igreja Católica como um todo.

Na quinta-feira, dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra (BA), protocolou carta no Palácio do Planalto, apresentando um plano alternativo às obras de transposição do rio, como se tornou conhecido oficialmente o projeto de integração das águas do rio às bacias do Nordeste setentrional.

Em 2005, Cappio chegou a entrar em greve de fome para chamar a atenção sobre suas idéias. Ele acredita que o projeto do governo é excessivamente caro, acarreta riscos socioambientais e não vai, garantidamente, beneficiar a população pobre da região do semi-árido nordestino.

Ao se referir ao bispo, dom Odilo afirmou que “quem se manifestou naturalmente está querendo continuar o dialogo”. Ele destacou que a posição de Cappio é pessoal.

Alguns grupos católicos expressaram, ontem, o apoio ao bispo e à reivindicação de que haja mais diálogo entre o governo e a sociedade antes que a as obras para a transposição sejam iniciadas. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), e a Cáritas, entidade que reúne 162 organizações de serviço social da Igreja Católica, declararam apoio à luta do bispo baiano.

Na carta protocolada ontem no Planalto, Cappio sugere, como alternativas à transposição, a revitalização do rio, a construção de mais cisternas (para usar a água da chuva no abastecimento doméstico) e a execução de 530 projetos já existentes da Agência Nacional de Águas (ANA) que, segundo ele, resolveriam os problemas de abastecimento hídrico no semi-árido brasileiro até 2015.

Scherer falou à imprensa sobre o tema durante o anúncio de que a canonização do primeiro santo brasileiro será oficializada durante a visita do papa Bento 16 ao Brasil, em maio. O papa concedeu o direito de canonização a Frei Galvão.

Fonte: A Tarde Online