O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, defendeu ontem a promoção da idéia de que a diversidade “é uma virtude, não uma ameaça”, durante a inauguração do primeiro diálogo de alto nível da Assembléia Geral para o entendimento entre culturas e religiões.

Segundo fontes da ONU, o diálogo procura apoiar as iniciativas feitas nos últimos anos para reduzir a tensão entre as diferentes crenças existentes.

Ban disse que desde que assumiu o cargo, em 1º de janeiro deste ano, sentiu durante as viagens que realizou um desejo geral de paz e prosperidade. No entanto, o secretário-geral afirmou que as pessoas que expressam esse sentimento também têm preconceitos.

Segundo Ban, as pessoas têm medo do que é diferente, como outras etnias, tradições culturais e lingüísticas e, principalmente, religiões.

O dirigente disse ter aprovado ainda a duplicação do número de países na Aliança das Civilizações. Já são mais de 70 Estados e organizações que apóiam a iniciativa.

A Aliança – lançada por Espanha e Turquia, em conjunto com a ONU – tem como objetivo promover o diálogo entre culturas e religiões, nos Governos e nas sociedades.

O presidente da Assembléia Geral, o macedônio Srgjan Kerim, falou da necessidade de se promover campanhas públicas em meios de comunicação em defesa da tolerância.

Kerim acrescentou que os Governos podem desempenhar um papel adicional passando a utilizar nas grades escolares valores de paz e tolerância.

“As crianças não nascem com preconceitos, e sim os aprendem”, disse.

A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, Karen Hughes, falou sobre mal-entendidos que a guerra contra o terrorismo causou ao mundo muçulmano.

Entre eles, as opiniões de muçulmanos, que consideram as ações dos EUA como uma guerra contra o Islã e a de alguns americanos, que acreditam que os muçulmanos não são contra grupos terroristas.

Karen defendeu que o diálogo entre religiões não fique nas mãos de extremistas, que manipulam a mensagem religiosa.

“Há muitos motivos de queixa no mundo, mas nenhum justifica o assassinato de inocentes”, acrescentou.

O ministro de Assuntos Exteriores da Bósnia-Herzegovina, Sven Alkalaj, disse que as crianças não devem apenas aprender sobre tolerância nas escolas, e sim também com o exemplo da sociedade.

“As comunidades religiosas têm o grande potencial de se transformarem em forças positivas em favor da paz e da tolerância se deixarem claro que a agressão a uma fé é uma agressão a todas as crenças”, afirmou.

O país balcânico – que sofreu um grande conflito étnico na última década – está envolvido na construção de uma sociedade baseada em “diálogo, entendimento e aceitação”, acrescentou o ministro.

A realização do diálogo de alto nível, que termina amanhã, foi aprovada no ano passado pela Assembléia Geral. Sessenta e nove países discursarão no encontro.

Além das exposições no plenário da Assembléia Geral, foi realizada uma reunião interativa entre membros da sociedade civil e de comunidades religiosas.

Fonte: EFE