Dez testemunhas de acusação foram ouvidas ontem no processo que apura três homicídios em Delta, Minas Gerais, tendo o pároco da cidade entre as vítimas.

O autor dos crimes é Marcos Antônio de Jesus Martins, 24 anos, réu confesso nos autos, tendo assumindo que tirou a vida do padre José Carlos Cearense, do braçal Wanderson Luís dos Santos e do pedinte Josimar Nunes Gonçalves.

O padre foi assassinado na madrugada de 9 de maio, enquanto os outros dois foram atacados por Marcos na noite do dia 28 para 29 de abril deste ano.

A motivação do crime seria a mesma nos três casos. Como o próprio autor vem sustentando, ele teria feito um pacto com o diabo para matar sete pessoas, das quais também deveria beber o sangue.

Na audiência de ontem, na 1ª Vara Criminal, cinco das dez testemunhas arroladas nada souberam informar ao juiz Ricardo Cavalcante Motta. Manoel Araújo Carneiro, Maria de Lourdes Pereira Carneiro, Júlio Lopes dos Santos, Camila Chagas e Maria Aparecida dos Santos se limitaram a informar que nada sabiam informar, testemunhando apenas o momento em que a polícia encontrou o corpo do padre Cearense.

Nos depoimentos, algumas testemunhas fizeram menção a comentário geral na cidade quanto ao comportamento do padre na intimidade, inclusive recebendo pessoas na casa paroquial “altas horas da noite”, como afirmaram a dona-de-casa Elisângela Lucas Ávila Santos e o comerciante Lucinélio Silva.

Diferente do alegado pelo réu quando de seu interrogatório, o comerciante Rubens Gonçalves dos Reis, dono de um bar em Delta, disse que Marcos costumava beber em seu estabelecimento, mas não ficava agressivo e “nunca se mostrou como doido”. Segundo ele, o réu se comportava normalmente, sorrindo e bebendo, sem nada que realçasse um comportamento estranho.

Ainda conforme o comerciante Rubens, antes do assassinato do padre e depois da morte das duas primeiras vítimas, o réu esteve no bar, se mostrando “meio aflito”. Mesmo assim, bebeu catuaba e conhaque. Numa das vezes chegou a pedir caldo de mocotó, ficando bravo pela demora, enquanto o alimento era aquecido.

O pastor que acompanhou o réu na apresentação na delegacia de polícia. Paulo Henrique Ferreira, 37 anos, identificou-se como operador de máquinas. Ele confirmou que Marcos confessou os crimes espontaneamente, sem qualquer tipo de pressão do delegado Heli Andrade. Já o PM José Antônio de Matos, que trabalhou nas diligências para apuração dos fatos, descreveu o réu como pessoa fria e calculista.

Nova audiência será marcada, desta vez para ouvir testemunhas de defesa. Marcus continua preso na cadeia do Parque das Américas, sem qualquer chance de livrar-se da prisão.

Fonte: Jornal da Manhã