Bento 16 abriu uma exceção em seu pontificado e santificará o frade franciscano Antônio de Sant’Anna Galvão (1739-1822), o frei Galvão, no país.

A missa de canonização do frade paulista nascido em Guaratinguetá (SP) será no Campo de Marte. A celebração em SP acontece no dia 11 de maio, às 9h30, e a igreja espera ao menos 1,5 milhão de pessoas no local. A prefeitura paulistana pode transformar a data em feriado.

O papa estará no Brasil entre 9 e 13 de maio deste ano, na sua primeira visita ao país. O arcebispo Piero Marini, chefe do cerimonial do papa, disse no início do mês que a canonização poderia ocorrer em SP.

Com a decisão do papa, todos os fiéis que quiserem ir ao Campo de Marte ouvirão o papa ler em solo brasileiro o decreto da santificação e verão tanto a imagem de frei Galvão ser revelada quanto um osso do primeiro santo nascido no Brasil ser exibido ao público.

Nesse dia, o papa também dirá qual o nome oficial do santo e se o dia 23 de dezembro seguirá sendo seu dia -a CNBB diz que a transformação da data do santo em feriado nacional depende da iniciativa de algum deputado ou senador (há resistências na bancada evangélica).

Além disso, no Campo de Marte haverá uma orquestra de cerca de mil vozes que cantarão a glória do novo santo. São estes rituais que compõem a cerimônia de santificação, que ocorre geralmente no Vaticano. Há poucas exceções.

“Há um decreto de Bento 16 no qual as canonizações têm de ser feitas apenas no Vaticano”, afirma d. Manuel Parrado Carral, substituto temporário de d. Cláudio Hummes à frente da Arquidiocese de SP. “O papa está trazendo um grande presente ao povo brasileiro. Os devotos de frei Galvão são pobres, humildes, não poderiam ir a Roma. É algo histórico.”

Bento 16 já canonizou nove pessoas. Todas em Roma. Seu antecessor, João Paulo 2º, fez 464 santificações, sendo 13 fora do Vaticano. Fiéis do Paraguai, do México e da Polônia já viram uma santificação ocorrer em seu próprio país. A primeira canonização de João Paulo 2º fora da Santa Sé aconteceu na Coréia do Sul, em 1984.

Ontem, o papa anunciou, além de frei Galvão, mais quatro santificações. Todas vão acontecer em Roma, em junho.

D. Cláudio, atual “ministro” do papa na Congregação para o Clero, na Santa Sé, fez questão de ligar de Roma para a rádio 9 de Julho (emissora da arquidiocese de SP) para dar a notícia aos fiéis da cidade. “É um privilégio muito especial”, disse. “O papa está abrindo uma exceção que significa um grande carinho dele pelo Brasil.”

Madre Paulina foi canonizada em 2002, no Vaticano, e beatificada em 1991, no Brasil. Ela nasceu na Itália, mas é considerada a primeira santa brasileira porque passou a maior parte da sua vida no país.

O processo de canonização de frei Galvão ficou parado entre 1938 e 1986. A irmã Célia Cadorin, a pedido do então arcebispo de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, retomou os trâmites -que terminaram no ano passado, com o reconhecimento de seu segundo milagre. “O papa conquistou a todos nós”, diz irmã Célia. “Vou mandar um e-mail para o papa agradecendo o tamanho da graça recebida.”

Fonte: Folha de São Paulo