Enquanto o Sínodo dos Bispos sobre a Família discute eventuais aberturas da Igreja Católica a homossexuais, o Parlamento da Itália se prepara para votar um projeto de lei que autoriza as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo no país.

E, nos últimos dias, a concomitância entre esses dois eventos evidenciou a ligação umbilical entre o Vaticano e Roma e as tentativas do primeiro em influenciar a política do segundo.

Nesta segunda-feira (19), o cardeal Agostino Vallini, vicário do papa Francisco na capital italiana, disse ser “contrário” ao projeto”. “A família é uma outra coisa”, declarou. Um dos pontos mais polêmicos da lei é a possibilidade de que homossexuais registrem os filhos de seus parceiros, mas apenas na ausência do outro genitor biológico. No entanto, casais de gays ou lésbicas continuariam proibidos de adotar crianças.

“O governo fará as suas escolhas, mas é certo que, sobretudo no campo da adoção, as nossas opções são diferentes. O tema dos filhos é muito delicado. De qualquer maneira, as uniões civis são outra realidade, não as chamamos de família”, disse Vallini.

Durante o fim de semana, o secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Nunzio Galantino, havia se pronunciado contra uma política “estrábica”, que investe energias “nessas formas de união particulares” e “coloca de lado a família tradicional, pilar da sociedade”.

O proponente do projeto, o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), do primeiro-ministro Matteo Renzi, prometeu dar “liberdade de consciência” para a base aliada durante a votação no Parlamento. Assim, o governo espera fugir de polêmicas com a Igreja, com as legendas conservadores de sua coalizão, como a Nova Centro-Direita (NCD), e até mesmo com a ala católica do próprio PD.

No passado, a NCD, do ministro do Interior Angelino Alfano, já ameaçou deixar o governo cair caso fosse aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tema que não deve entrar na pauta por enquanto, já que o projeto em questão fala apenas em uniões civis.

O texto será votado primeiro no Senado, onde a maioria de Renzi é bem mais estreita do que na Câmara, mas ele ainda pode contar com o apoio de siglas de oposição, como o Movimento 5 Estrelas (M5S).

[b]Fonte: Jornal do Brasil[/b]