O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, afirmou nesta segunda-feira que libertações de presos em Cuba são “gestos positivos” e declarou que a igreja não pediu às autoridades da ilha uma anistia, e sim “gestos de reconciliação”.

Bertone, que se reuniu nesta segunda com o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, no âmbito de uma visita oficial a Cuba que começou na última quinta-feira e terminará amanhã, no 10º aniversário da viagem à ilha por parte do papa João Paulo 2º, comentou que a Igreja não pediu “exatamente uma anistia”.

“Gestos bons, como os promovidos na época de João Paulo 2º, como os que foram feitos no mês passado, acredito, com a libertação de alguns presos, são gestos positivos que levam à reconciliação, que ajudam, que dão sinais de esperança”, disse Bertone em entrevista coletiva após o encontro.

As autoridades cubanas libertaram em meados deste mês sete presos, quatro deles dissidentes do grupo de 75 condenados em 2003 e que viajaram à Espanha após sua libertação.

O cardeal acrescentou que a Santa Sé pede “gestos de reconciliação entre todas as partes, todas as forças de ação em Cuba”.

O enviado confirmou que se reunirá na terça-feira com o presidente de Cuba, Raúl Castro, naquele que será o primeiro encontro oficial do novo chefe de Estado da ilha com um alto representante estrangeiro.

Raúl Castro, que exercia a Presidência de forma interina havia 19 meses devido a problemas de saúde de seu irmão Fidel, foi designado no domingo (24) como novo presidente do Conselho de Estado (Executivo), durante a instalação da Assembléia Nacional do Poder Popular, para um período de cinco anos.

Bertone afirmou que espera um encontro “claro, sincero, de troca com o presidente Raúl Castro”.

Segundo afirmaram à agência de notícias Efe fontes da igreja, a reunião ocorrerá “depois do almoço” e será a última atividade da agenda da visita do enviado do Vaticano.

Jovens

O cardeal declarou que chegou a Cuba “em um momento especial, extraordinário”, e disse que, na sua opinião, “Raúl Castro continuará (…) com uma visão, se possível for, de desenvolvimento”, tanto em Cuba como no âmbito das relações internacionais.

“Encontrei muitíssimos jovens entusiastas. Esses são os jovens, os homens do futuro que lutam pela independência de Cuba, contra todo poder opressivo externo, também interno”, disse, ao apontar que “os escolhidos na nova Assembléia e no Conselho de Estado tentam fazer o bem”.

Nesse sentido, completou que “o bom” é “ouvir as aspirações do povo, sobretudo dos jovens, e responder com iniciativas próprias, favoráveis”.

Os jovens “são o futuro de Cuba, de uma Cuba livre, de uma Cuba desenvolvida em sua autonomia”, acrescentou.

Bertone disse que as relações com as autoridades cubanas “são excelentes”, e agradeceu por “toda a ajuda” recebida para poder viajar por toda a ilha.

O religioso declarou que teve a oportunidade de “debater, cara a cara, diversos problemas e de compartilhar várias metas” com representantes da direção do país e que “jamais” teve a oportunidade de “falar tanto com as autoridades cubanas como nesta terceira visita”, algo que considerou “importante”.

O cardeal Bertone, que já tinha estado em Cuba em 2001 e 2005, quando ainda não desempenhava o cargo de secretário de Estado do Vaticano, expressou ainda seu desejo de que as relações “sigam amadurecendo mais como nestes dez anos”.

Por sua parte, o chanceler cubano agradeceu a Bertone, ao cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, e aos bispos cubanos por suas orações após o anúncio, em julho de 2006, da convalescença do líder cubano, Fidel Castro, algo que classificou como um “gesto humano que nosso povo reconheceu”.

Além disso, o chanceler agradeceu “as palavras de encorajamento e de reconhecimento às novas autoridades escolhidas” na ilha, expressadas pelo secretário de Estado do Vaticano.

Fonte: Folha Online