Em seu último dia em Cuba, o papa Francisco celebra nesta terça-feira (22), uma missa na basílica de Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira nacional, perto de Santiago de Cuba. A visita do sumo pontífice à ilha emocionou a população, mas foi também marcada por denúncias da Comissão Cubana de Direitos Humanos e de Reconciliação de prisões de opositores ao regime. Na tarde de hoje, o papa segue para os Estados Unidos, onde será recebido por Michelle e Barack Obama na base aérea de Saint Andrews, em Washington.

Durante as 72 horas da visita à ilha comunista, o papa Francisco exaltou “os esforços da Igreja Católica nesse período de transição da sociedade cubana.” Os católicos, que representam apenas 10% da população do país, são atuantes e as estruturas sociais, educativas e médicas da Igreja representam uma alternativa ao serviço público oferecido pelo regime de Havana.

Na segunda-feira (21), o sumo pontífice elogiou, na presença do presidente Raúl Castro, as chamadas ‘casas de missão’, que funcionam como locais de culto diante da escassez de templos e de sacerdotes no país. Muitos religiosos que atuam em Cuba são estrangeiros, como a irmã Gisela Lilia, brasileira que vive na periferia de Havana. Ela diz que o maior problema enfrentado pela população é a escassez de alimentos. “As pessoas se sentem impotentes quando não têm o que pôr na panela”, garante irmã Gisela.

[b]Emoção e prisões[/b]

A passagem de Francisco por Cuba emocionou o povo cubano, os estrangeiros que viajaram a ilha, principalmente mexicanos, e até jornalistas. Mas a viagem também foi marcada por denúncias de repressão e ameaças do governo aos opositores do regime. “O número de pessoas detidas poderia oscilar entre 50 e 100 desde o início da visita do Papa. Nós recebemos a confirmação de 60 prisões, fora o grande número de opositores que foram ameaçados de detenção, se tentassem sair de suas casas”, disse Elizardo Sánchez, da Comissão Cubana de Direitos Humanos e de Reconciliação.

A Igreja Católica não se pronunciou sobre o caso. “Não temos reações do Papa nem do Vaticano sobre esse assunto”, declarou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

[b]Estados Unidos[/b]

O papa, que fez a mediação pelo restabelecimento das relações entre Estados Unidos e Cuba, é reconhecido pelos cubanos como a figura que pode acelerar ainda mais a aproximação entre os dois países inimigos desde a Guerra Fria.

Na tarde desta terça-feira, Francisco embarca para os Estados Unidos, segunda etapa deste giro de oito dias. Essa será sua primeira viagem oficial ao país. Além do encontro com o presidente Barack Obama, o sumo pontífice argentino discursará no Congresso, em Washington, e na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Encerrando a viagem, o líder da Igreja Católica vai até a Filadélfia participar do “8º Encontro Mundial das Famílias Católicas”, em 27 de setembro, um dia antes de retornar ao Vaticano.

[b]Fonte: RFI – França[/b]