A pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão expressou esperança em relação aos ataques liderados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, argumentando que, em certas situações, o uso da força é justificado para “derrubar regimes tirânicos”. A líder do grupo Diante do Trono reagiu a um artigo do sociólogo Valdinei Ferreira, que criticou a comoção da pastora diante dos bombardeios, contrastando-a com a morte de 50 meninas em um ataque escolar, supostamente um dano colateral das ofensivas. A declaração de Valadão foi concedida em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Valadão fundamentou seu posicionamento na perseguição a cristãos no Irã, um país governado por uma teocracia islâmica. “Não se trata de comemorar uma guerra, mas sim o fato de que algo finalmente foi feito”, declarou a pastora, enfatizando que o regime iraniano é responsável por violações sistemáticas de direitos humanos contra minorias religiosas e mulheres, conforme também apontado por Ferreira em seu artigo, que citava o governo do aiatolá Ali Khamenei como opressor de grupos vulneráveis.
Em resposta à crítica de Ferreira, que questionou a teologia de Valadão ao justificar ataques ao Irã enquanto faz negócios com a Arábia Saudita, a pastora afirmou que igrejas evangélicas brasileiras monitoram anualmente a situação de cristãos perseguidos em diversas nações. Ela mencionou a Arábia Saudita, citando o ranking da Missão Portas Abertas, que indica que muçulmanos convertidos ao cristianismo no Irã podem ser punidos com a morte, e pastores de igrejas não reconhecidas são frequentemente presos. Valadão também relembrou manifestações pacíficas contra a teocracia iraniana que teriam resultado em milhares de mortos, ocorridas, segundo ela, “diante do silêncio do mundo”.
De acordo com a Missão Portas Abertas, o Irã figura entre os países com maior repressão a cristãos. Valadão relatou que “os ataques foram vistos por muitos cristãos iranianos e pela diáspora como uma esperança de que esse regime finalmente caia”. O debate se intensificou após o marido da pastora, Gustavo Bessa, compartilhar um vídeo sobre o bombardeio de uma escola no Irã, apresentado por autoridades locais como resultado das ofensivas. Embora Ana Paula Valadão tenha lamentado a morte de civis, ela questionou a veracidade das informações, citando a ausência de confirmação por parte dos EUA e Israel, e o pedido de investigação independente da ONU.
A pastora também fez referência a acusações de que grupos como Hamas e Hezbollah, supostamente financiados por Teerã, utilizam civis como escudos humanos em locais como escolas e hospitais, o que, segundo ela, dificulta a atribuição de responsabilidades em ataques.
Valadão atribuiu a defesa de Israel por grande parte das igrejas evangélicas brasileiras a razões teológicas, como a origem judaica de Jesus e a maioria dos autores bíblicos, além do significado simbólico da criação do Estado de Israel em 1948, após o Holocausto.
A pastora ressaltou que apoiar Israel não implica concordar com todas as suas ações, pois “todos os países cometem erros”, e que não há oposição a árabes ou palestinos. Orar pela paz em Jerusalém é, para ela, um princípio bíblico que abrange “todos os seus habitantes”, e crê na profecia bíblica de Isaías 19.25 sobre a bênção a todo o Oriente Médio.
Valadão concluiu afirmando falar “em prol dos cristãos iranianos, pois sinto que estou falando em defesa da minha própria família, pois, em Jesus, creio que é isso o que eles são”. Em relação aos conflitos, ela os descreveu como um “triste lembrete das consequências do pecado no mundo”, reafirmando a defesa da “guerra justa” como conceito cristão e enfatizando que a redenção plena das nações ocorrerá com o retorno de Jesus, mas que mesmo em “guerras justas”, como a contra o regime iraniano, há sofrimento e morte civil, cabendo aos cristãos “se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram”.
Folha Gospel com informações de Folha de S. Paulo

