Culto em uma casa em Mianmar
Culto em uma casa em Mianmar

O conflito entre os militares em Mianmar, o Exército Arakan, um grupo militante que luta por mais autonomia para o povo étnico Rakhine, deixou centenas de mortos ou feridos.

Em meio à violência frequente no estado de Rakhine, norte do país, a pequena comunidade cristã na nação de maioria budista é parte de 200 mil pessoas deslocadas desde 2018.

Na segunda-feira (1º), militares tomaram o controle do poder em Mianmar e detiveram integrantes do governo, inclusive a líder política Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz em 1991; e o presidente do país, Win Myint.), acusadas de ‘fraude eleitoral’.

Os constantes conflitos fizeram com que a pequena comunidade cristã se espalhasse para o estado de Chin, forçando a etnia Chin, que é predominantemente cristã a sair de suas aldeias para acampamentos temporários.

“Éramos os anfitriões desta guerra de dois lados e vimos muitos problemas”, disse Kan Lwat, que se lembra do bombardeio de artilharia em sua cidade no estado de Chin.

O homem de 36 anos é o líder de cerca de 80 jin que viajaram mais de 600 quilômetros da remota cidade de Paletwa até a capital comercial de Mianmar, onde passaram breves períodos em acampamentos temporários.

Eles se estabeleceram no mês passado em um pequeno terreno no município de Hmawbi, em Yangon, e decidiram batizar sua aldeia de Baythala – ou Betel – a cidade bíblica que servia de refúgio para os necessitados, disse Kan Lwat.

“Significa que Jesus estava abençoando e ajudando pessoas com problemas com este lugar, que será pacífico”, explicou.

Em Baythala, os moradores tomam banho ao ar livre, espirrando água armazenada em grandes urnas, enquanto as crianças brincam nas proximidades e as mulheres preparam o jantar enquanto o sol se põe.

Ainda não há abastecimento de água ou eletricidade, diz Kan Lwat, e a construção de novas casas demorou mais do que o esperado, pois aguardam por doações para comprar os materiais.

A pandemia de coronavírus empurrou Yangon para uma crise econômica, tornando difícil para os migrantes jin encontrar trabalho.

“Não temos empregos no momento”, disse o líder da aldeia, acrescentando que seus suprimentos de comida são doados por organizações cristãs e grupos de direitos dos jin.

Apesar de seus problemas, ter um lugar seguro sem o medo diário de bombardeios de artilharia ou soldados invadindo sua aldeia é uma dádiva de Deus, diz o pastor Aung Far.

“Mesmo se quiséssemos ir para casa, não podemos viver em paz porque ainda há luta”, disse o pastor.

Enquanto prepara pepinos para o jantar, Hla Sein observa homens martelando varas de bambu para fazer a próxima casa.

“Espero ficar na minha própria casa nesta aldeia para sempre”, diz o homem de 35 anos. “Sinto-me feliz morando aqui. É um sentimento diferente (do que) na minha aldeia natal.”

Kan Lwat tem esperança de que, assim que a pandemia diminuir e os adultos encontrarem emprego, cerca de 30 crianças na aldeia terão acesso a uma educação melhor.

“Mesmo que nossas vidas não sejam boas, espero que meus filhos tenham um futuro melhor”, diz ele.

Fonte: Guia-me com informações de Channel News Asia