Dom José prestará depoimento nesta sexta. Um dos objetivos é descobrir se a Igreja desconfiava do comportamento do religioso ao transferi-lo de cidade.

O arcebispo de Niterói, dom José Francisco Rezende Dias, será ouvido nesta sexta-feira no inquérito que investiga o padre Emilson Corrêa, acusado de pedofilia na paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. O depoimento foi confirmado pelos advogados da arquidiocese e, segundo Marta Dominguez, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), é fundamental para esclarecer três pontos na complexa história que envolve o religioso, uma criança de dez anos que conta ter sido molestada por ele em 2010, uma jovem de 19 anos, que afirma ter feito sexo oral nele aos 13, e uma adolescente de 15 anos, que admite ter tido um caso com Corrêa. O caso ainda envolve o pai de duas das meninas, indiciado por tentativa de extorsão.

“Quero saber a razão de o padre ter sido transferido da paróquia de Niterói para São Gonçalo. É importante saber se, naquela época, já se desconfiava de algo. A mãe das meninas diz que foi uma tentativa da igreja de esconder, de proteger o padre”, afirma a delegada ao site de VEJA. De acordo com Marta, o arcebispo ainda será questionado sobre os ganhos do padre. De acordo com a jovem de 19 anos, ele comprou duas motos, um carro e pagou a reforma da casa dela, avaliada em 12.000 reais.

Na complexa história, o pai das duas vítimas teria chantageado o padre, cobrando dinheiro ou uma casa para não divulgar um vídeo do padre fazendo sexo com a outra adolescente de 15 anos. O vídeo em questão foi gravado pela jovem de 19 anos, em novembro. Conforme a delegada, após confessar ao pai que mantinha relações sexuais com o Corrêa, a jovem foi orientada pelo pai a gravar o ato sexual com o religioso. Ela, então, convidou a amiga adolescente, que aceitou participar. As imagens mostram a jovem beijando o padre nu, na boca. Em seguida, a amiga de 15 anos e o padre fazem sexo. No fundo da imagem, é possível ver a reprodução do quadro A Última Ceia.

Dom José Francisco Rezende Dias prestará depoimento também sobre a tentativa de extorsão. “O arcebispo participou da conversa entre os pais e o padre Emilson, na Arquidiocese de Niterói. Eu acredito que o depoimento dele seja isento. E é fundamental para ajudar a esclarecer se o pai chantageou o padre, ameaçando divulgar o vídeo caso não recebesse dinheiro”, destaca a delegada, que pretende concluir o inquérito ainda nesta sexta-feira.

Marta diz que a mãe da jovem de 19 anos afirmou nunca ter desconfiado do padre, porque acreditava que havia um amor paterno. “A mãe dela me disse que um dia perguntou ao padre a razão dos presentes. Segundo a mãe, o padre disse: ‘Eu tenho sua filha como minha filha’. Ele disse que sentia um amor de pai”, conta a delegada, que afirma não ter notado no religioso sinais de arrependimento. “O padre nega ter molestado a criança e só admite ter feito sexo com a jovem de 19 anos desde 2012, ou seja, quando ela se tornou maior.”

[b]Fonte: Veja.com[/b]