Membros da associação Women’s Ordination Conference protestaram nesta terça-feira na praça de São Pedro do Vaticano para pedir à Igreja Católica que reconsidere a proibição de as mulheres receberem a ordenação sacerdotal.

A associação, criada justamente para reivindicar esse fim, realizou a manifestação na véspera dos atos, que começarão hoje no Vaticano, para celebrar a conclusão do Ano Sacerdotal, convocada pelo papa Bento 16.

Durante alguns minutos, várias manifestantes distribuíram panfletos pedindo o sacerdócio para as mulheres até que a polícia lhes pediu para deixar a praça, o que fizeram imediatamente.

“A absoluta hipocrisia da celebração do Ano Sacerdotal mostra tudo o que não funciona atualmente na hierarquia vaticana”, explicou a diretora do movimento, Erin Saiz Hanna, em entrevista coletiva antes da manifestação.

Saiz Hanna criticou a celebração do sacerdócio masculino “em um ano desastroso para a Igreja Católica romana”, em referência aos casos de padres pedófilos.

“O Vaticano não hesita em fechar um olho quando seus homens destroem a vida de crianças e famílias, mas também não hesita em excomungar as mulheres que, em boa fé, querem profeticamente exercer o sacerdócio e suprir as necessidades de sua comunidade”, acrescentou a diretora de Women’s Ordination Conference.

Pioneira

No último dia 22, a italiana Maria Longhitano, 35, se tornou a primeira mulher sacerdote a ser ordenada em Roma, pela Igreja Vétero Católica –um movimento católico independente não reconhecido pelo Vaticano e vinculada ao movimento anglicano.

Longhitano foi ordenada sacerdote durante cerimônia na Igreja Anglicana, no centro da capital italiana, e agora poderá rezar missas na paróquia Jesus de Nazaré em Milão.

“É um ato importante, que rompe com tradições milenares”, disse o sacerdote vétero-católico que oficiou a posse, destacando o trabalho da nova sacerdotisa em Milão “em favor dos doentes, das crianças e dos necessitados”.

Longhitano afirmou saber que “abriu um novo caminho”, embora tenha destacado que “foi um percurso de emoção e medo”.

“Sem as mulheres, o catolicismo, que quer dizer universalidade, fica mutilado”, disse.

A sacerdote criticou ainda a proibição da Igreja Católica de ordenar mulheres.

Fonte: Folha Online

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