A liderança da Igreja Metodista reuniu-se com o presidente Evo Morales e pediu, diante de rumores de golpe de estado e conflitos sociais, a unidade do povo boliviano.

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O conflito deflagrado na semana passada nas minas em Huanuni, no Departamento de Potosí, ameaça estender-se a outros setores.

Nota do analista internacional Heinz Dieterich, publicada na sexta-feira em várias agências noticiosas, desenvolve a teoria de complô e golpe de estado programado para esses dias contra o governo de Evo Morales.

A nota diz, no seu primeiro parágrafo: “Há poucas semanas, oficiais da polícia boliviana aproximaram-se de generais das Forças Armadas da Bolívia (FAB) investigando sua disposição para dar um golpe de estado. Um dos militares-chave para o êxito do golpe negou-se a participar e informou-o ao presidente. Seguem os preparativos sem ele. E seguem os anúncios no rádio que elogiam o ‘exército patriótico que matou Che Guevara e a subversão'”.

Dieterich afirma que os Estados beneficiados pela economia tradicional opõem-se à Assembléia Constituinte e que tramam, esta semana, com o aval e o apoio de transnacionais e de governos que têm uma lamentável história de intromissões nos governos latino-americanos.

O analista alemão afirma: “Os governadores dos Estados estratégicos e separatistas de Beni, Pando, Santa Cruz de la Sierra e Tarija promovem a conformação dos chamados ‘Comitê Civis’, que são as cabeças de lança da subversão política visível. Tantos os governadores, como os comitês cívicos, entraram em franca rebelião contra o governo constitucional de Evo Morales, ao declarar que ‘não acatarão a Constituição política do Estado emergente da Assembléia Constituinte, no caso dela não ser aprovada em todos os seus artigos pelos dois terços dos votos’ dos constituintes. Eles advertem avançar nas ‘autonomias departamentais’, se não for cumprida essa condição”.

Diante desse difícil e complexo panorama encontra-se o ex-dirigente cocaleiro na presidência do país andino e toda a sociedade boliviana. A Igreja Evangélica Metodista Boliviana (IEMB) conclamou, na semana passada, à união do povo.

Em diálogo com a ALC, o bispo Carlos Poma reconheceu que ouviu rumores de desestabilização, mas que não conta como uma certeza. Diante dos conflitos sociais e políticos, a IEMB convocou suas igrejas a abrirem os templos “para quem quiser poder neles orar, fazer vigílias, jejuns e orações pelos mortos, pelos órfãos e viúvas, pelos feridos, pelas feridas da sociedade”.

Os metodistas também pediram às igrejas que ajudem com paramédicos, medicamentos e ações concretas, e “chamamos o povo boliviano e a comunidade mundial a apoiar a democracia na Bolívia, a não desestabilizá-la”, informou Poma.

No encontro que mantiveram com o presidente Evo Morales, há dias, os líderes metodistas oraram com ele, e asseguraram-lhe o apoio da IEMB, enquanto as políticas desenvolvidas pelo seu governo forem de unidade do povo boliviano. Mas também disseram que não hesitarão em levantar a voz profética para apontar erros cometidos pelo governo.

“Pedimos-lhe que se dirija ao povo como um pai de todos os boliviano. As pessoas necessitam ouvir uma voz de afeto e contenção, de aceitação e ele tem essa responsabilidade para unir assim o povo”, disse Poma.

O bispo metodista boliviano pediu que a mídia, as igrejas e a sociedade apóiem o povo boliviano. “Pediria a todo o povo da Bolívia que não se esqueça de dialogar. O diálogo evita muitos males”, recomendou.

Poma também tem uma palavra aos que pensam em desestabilizar o governo: “Que ponham a mão no peito e pensem que conseqüências os seus atos teriam, quem serão prejudicados, que, seguramente, não são os governos ou os políticos, mas as pessoas do povo, as crianças, os marginalizados de sempre”, alertou.

Fonte: ALC