Relacionamentos homossexuais podem “refletir o amor de Deus” de forma comparável ao casamento, se for duradouro e fiel – escreveu o arcebispo de Canterbury, Inglaterra, e primaz da Igreja Anglicana, Rowan Williams, 58, em cartas trocadas com um psiquiatra evangélico entre os anos 2000 e 2001, quando ainda era arcebispo de Gales.

Os escritos repercutiram na imprensa britânica. Em meio à crise sobre casamento homossexual e ordenação de mulheres e gays, o bloco conservador de bispos majoritariamente africanos ameaçam rachar a Comunhão Anglicana, terceiro maior grupo cristão, com 77 milhões de fiéis.

A Conferência de Lambeth – cúpula anglicana que acontece a cada dez anos – propôs neste mês um acordo conciliatório, o que pode acontecer em cinco anos. Enquanto isso, Williams pediu que “as igrejas norte-americanas” mantenham moratória na ordenação e celebração de casamento de homossexuais. A crise estourou em 2003, quando a Igreja Episcopal dos EUA ordenou um bispo gay assumido.

Com as cartas, a situação do arcebispo pode complicar-se. Segundo as correspondências de Williams, as proibições bíblicas referem-se apenas a heterossexuais que buscam uma “diversidade de experiências eróticas” e não às pessoas “homossexuais por natureza”.

Por outro lado, o arcebispo separou a opinião enquanto teólogo da posição como líder religioso. Williams, que antes se opunha aos homossexuais, diz ter mudado de opinião depois de, como professor em Cambridge, debater com estudantes, nos anos 1980, que acreditavam que a Bíblia não proibia a homossexualidade, mas a promiscuidade.

Fonte: O Povo