Igreja católica na floresta amazônica perto de Porto Velho (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
Igreja católica na floresta amazônica perto de Porto Velho (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)

Gabriel Stargardter e Maria Cervantes
Portal Terra

Comunidades católicas de toda a Amazônia disseram que continuarão pressionando para que homens casados tenham permissão de celebrar missas na região remota da floresta tropical, uma reação à decisão do papa Francisco de impedir a ordenação de homens casados como padres.

Em uma das decisões mais significativas de seu pontificado, o papa Francisco rejeitou na quarta-feira a proposta concebida para amenizar a falta crônica de padres na Amazônia, onde a Igreja Católica enfrenta uma concorrência crescente de cultos evangélicos.

A proposta, apresentada por bispos latino-americanos em 2019, alarmou os conservadores da Igreja de 1,3 bilhão de fiéis profundamente dividida, temerosos de que a prática erodisse o comprometimento de séculos dos padres com o celibato.

A decisão do pontífice argentino afeta comunidades isoladas do Brasil, Peru, Colômbia e outros países da bacia do Amazonas e coloca os católicos da Amazônia em uma posição delicada, forçando-os a equilibrar seu desejo de mudança com a obediência religiosa.

Embora alguns tenham expressado decepção, muitos mais demonstraram esperança de que o papa mude de ideia.

Martín Quijano, bispo de Pucallpa, na Amazônia peruana, que participou do sínodo de bispos da Amazônia no qual se propôs permitir padres casados, disse ter fé de que a decisão não foi definitiva.

“A porta ainda está aberta”, disse ele à Reuters. “O papa está pedindo reflexão. Esta proposta ainda está em andamento.”

Giuliano Frigeni, bispo de Parintins, cidade brasileira às margens do rio Amazonas, prometeu continuar lutando, apesar dos obstáculos. “Agora temos que arregaçar as mangas e trabalhar ainda mais duro”, disse.

Francisco deu sua resposta em uma Exortação Apostólica três meses depois de a proposta ser aprovada no sínodo por 128 votos a 41. Exortações Apostólicas são usadas para instruir e incentivar os fiéis católicos, mas não definem a doutrina da Igreja.

Segundo a proposta formulada no sínodo, diáconos casados mais velhos com famílias estáveis que sejam líderes comprovados de comunidades católicas remotas poderiam ficar livres para ser ordenados como padres.

Os diáconos, assim como os padres, são ministros ordenados. Eles podem pregar, batizar e comandar paróquias, mas não podem rezar missas. Homens casados podem se tornar diáconos.

Como só padres podem rezar missas, moradores de ao menos 85% dos vilarejos da Amazônia não conseguem acompanhar a liturgia todas as semanas, e alguns não o fazem há anos.

Fonte: Terra