Quem já foi a algum dos parques aquáticos do Sea World e se encantou com os shows envolvendo golfinhos, focas e orcas, vai se chocar um pouco com o documentário “BlackFish”.

Tendo como força motriz o trágico episodio que resultou na morte da treinadora Dawn Brancheau em 2010, o documentário investiga também todo o processo de treinamento das orcas, ou baleias-assassinas, desde sua brutal captura até o confinamento em minúsculos (considerando o tamanho do animal) tanques de concreto.

Diversos ex-treinadores e cientistas ligados ao Sea World foram entrevistados no filme, e alguns deles dão declarações bem fortes sobre supostas crueldades e questionam a validade de se manter em cativeiro animais tão majestosos e inteligentes como as orcas.

O acidente que resultou morte de Dawn Brancheau é explorado com riqueza de detalhes e algumas das informações oficiais, que a mídia divulgou como finais, são bastante questionadas. De forma geral, o filme não se preocupa em dar respostas, mas principalmente em gerar questionamentos.

Ninguém das organizações Sea World deu nenhuma entrevista para o filme, o que não causa nenhuma surpresa. Trata-se de uma indústria bilionária que movimenta quantidades astronômicas de dinheiro todos os anos. Claro que eles não estão felizes com o documentário e muito menos com qualquer questionamento aos seus parques.

O filme tem gerado bastante polêmica, não somente por trazer à tona fatos pouco conhecidos, mas também por ser acusado de trazer uma visão limitada da questão.

Assisti à “BlackFish” ontem à noite e achei um filme forte, bem interessante. Claro que é necessário se fazer uma leitura descontando o ativismo exacerbado à la Michael Moore, bastante presente em cada cena. Mas, mesmo para os que acham que o filme é exagerado e tendencioso, acho que no final das contas as discussões que tem sido geradas, mundo afora terminam por justificar o projeto .

Sempre fui um apaixonado por animais. mesmo ainda criança; enquanto meus amiguinhos de escola liam Cebolinha e Tio Patinhas, minha leitura preferida era a enciclopédia “Os Bichos” da Abril Cultural , que eu devorava diariamente. Tanto, que ainda com uns 6 ou 7 anos, já me gabava por saber o nome científico de centenas de animais. Minha primeira faculdade, não foi de musica, mas de Biologia, que cursei por quase três anos. Cheguei mesmo a me imaginar fazendo pesquisa de campo na África, antes que a musica terminasse me puxando de vez. Por isso, até hoje, tudo ligado a animais me interessa, continuo sendo expectador assíduo dos canais Animal planet, Discovery, National Geographic e a frequenter zoologicos, parques e oceanários sempre que posso. Sendo Assim, “BlackFish” me interessou logo que eu soube de seu lançamento.

Um filme como esse acerta, mesmo quando erra; mesmo quando carrega nas cores em sua critica ao uso de animais na industria do entretenimento ou quando deixa de mencionar os avanços na pesquisa cientifica obtidos por conta da observação de animais em cativeiro. Isso Porque toca em um assunto delicado e que raras vezes tem espaço na mídia. Um assunto que precisa ser mais discutido.

É impossível negar que muito se aprendeu com a interação com esses mamíferos formidáveis por tantos anos; mesmo os ativistas mais radicais não podem negar que algumas observações e descobertas jamais poderiam ter sido feitas com os animais em seus habitats. E também entender que os parques ajudaram a gerar simpatia na população em geral e a motivar ações protecionistas no mundo todo. É difícil hoje me dia, achar quem não goste , quem não queira tomar partido à favor da defesa de baleias, golfinhos e orcas. Mas talvez seja chegada a hora de se por um fim a essa pratica. Talvez seja a hora de se repensar a validade de se manter me cativeiro animais tão grandes e inteligentes.

A própria diretora do filme, Gabriela Cowperthwaite, costumava levar seus filhos rotineiramente ao Sea World, até que o acidente com Dawn Brancheau aconteceu. Ela então resolveu investigar os fatos e assim surgiu o documentário “Blackfish”. Não é necessário dizer que ela não frequenta mais parque aquático nenhum …

Um abraço,

Leon Neto