Importância do pai para o desenvolvimento da criança

O papel do pai é mostrar à criança que no mundo existem outras pessoas além da mãe

Pai joga filho para o alto. (Foto ilustrativa)
Pai joga filho para o alto. (Foto ilustrativa)

Falar em castração, na psicologia, não significa dizer que os órgãos sexuais masculinos serão mutilados, mas aponta para uma experiência psíquica vivenciada de maneira inconsciente na infância por volta dos cinco anos. A experiência da castração é decisiva para a construção da identidade sexual nas crianças.

Quando falamos em sexualidade infantil não podemos deixar de mencionar a importância da experiência inconsciente da castração. Essa experiência tem início na infância e é levada ao longo da vida, onde, por diversas vezes, é reativada quando nos deparamos com situações específicas, em que temos de lidar com os limites do corpo e do desejo.

Toda criança passa pela experiência inconsciente da castração, com exceção do psicótico. O complexo de castração surgiu a partir do trabalho de análise de Freud com um menino de cinco anos, o “Pequeno Hans”, exposto no livro Análise de uma fobia em um menino de cinco anos, publicado em 1909.

Hans tinha uma fobia: ele odiava cavalos, tinha medo de ser mordido ou de cair dos carros conduzidos pelo animal. O pai da criança se preocupava com um afeto direcionado por Hans à sua mãe. Ele descrevia como uma “superexcitação sexual”. Hans também tinha medo do “grande pênis” associado ao cavalo.

Talvez vocês estejam se perguntando nesse momento o que, de fato, se passava na mente do pequeno Hans. Qual a conexão existente entre o medo irracional de cavalos, o afeto direcionado à mãe e o grande pênis do animal.

Para Freud, a fobia tem como principais elementos o medo e a angústia. Nesse caso analisado por Freud, a angústia causada por um evento traumático foi direcionada aos cavalos. Não podemos falar em psicanálise sem abordar o seu tema central, que é a sexualidade. No caso do pequeno Hans existe uma conexão entre a sexualidade e o surgimento da fobia.

Quando olhamos para o apego incomum de Hans com a sua mãe, podemos entender com maior clareza o conceito freudiano do Complexo de Édipo, em que o amor traduz um desejo incestuoso da criança direcionado à sua mãe. Isso ocorre em média dos três aos seis anos, numa fase do desenvolvimento psicossexual infantil denominada fálica.

O sentimento libidinoso nas crianças pode ser direcionado ao pai ou à mãe, e diante da impossibilidade de realizar o desejo sexual na relação com os pais, a criança recalca o sentimento, lançando mão desse mecanismo mental de defesa psíquica para se proteger da angústia insuportável que sente quando precisa renunciar ao desejo incestuoso e reconhecer a lei paterna.

Podemos compreender a função paterna na psicanálise como a função que separa a mãe da criança para incluir a criança no universo simbólico e da castração. O papel do pai é mostrar à criança que no mundo existem outras pessoas além da mãe à qual a criança se encontra vinculada. O pai não é só figura provedora de alimento, mas é fundamental no desenvolvimento infantil. A ausência da figura paterna pode trazer sérias consequências ao desenvolvimento infantil.

No caso do “Pequeno Hans”, ocorreu um deslocamento da libido para outro objeto que não o pai, em vez de recalcá-la. Sendo assim, temos o surgimento da fobia. A forma como Hans vivenciou a experiência foi determinante nesse processo.

Psicóloga Helena Chiappetta

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Helena Chiappetta
Maria Helena Barbosa Chiappetta é psicóloga clínica (CRP 02/22041), 1ª vice-presidente da Associação Brasileira de Bacharéis em Psicanálise (ABBP) e integrante da Comissão Coordenadora de Análise e Supervisão da mesma instituição; psicanalista clínica pela ABBP e ABRAPSI; avaliadora datista pela CORETEPE (CRTP-1041); e escritora. Sua trajetória reúne clínica, docência e escrita, com olhar voltado às neuroses atuais e às relações entre psicanálise, educação e experiência simbólica. Especializou-se em Neuropsicologia; Psicanálise, Psicopatologia e Saúde Mental; Terapia Familiar; Arteterapia; Psicopedagogia Clínica e Institucional; e Ciências da Religião. É licenciada em Letras, Pedagogia e Filosofia, bacharela em Teologia e bacharela em Estudos Teóricos Psicanalíticos e Sociais, formações que sustentam uma prática interdisciplinar e sensível às dimensões subjetivas do contemporâneo. Atua como professora convidada no Curso de Formação em Psicanálise da SNTPC e no Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicanálise e Teoria Analítica da FATIN, com experiência docente em Hebraico Bíblico, Psicanálise e Teoria Analítica, Educação Religiosa, Artes e Teologia, com ênfase em Ciências da Religião Aplicada e Liderança Institucional. É colunista do Portal Folha Gospel, onde escreve sobre saúde emocional, cultura e espiritualidade. E-mail: helena.chiappetta@icloud.com Instagram profissional: @h.chiappetta Espaço Livre Mente: @espacolivre_mente
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