Bem que eu tentei, mas em pleno andamento da Copa do Mundo, não se tem muito como evitar falar do assunto. Afinal de contas, o Brasil literalmente para de quatro em quatro anos, para acompanhar a seleção Brasileira em mais uma empreitada futebolística internacional.

E já é de praxe que toda Copa do Mundo tenha uma canção que termina virando xodó da torcida e é cantarolada ad infinitum pelo país à fora. Foi assim com seleção de 70 e o “Pra frente Brasil” ou o “Voa, Canarinho, Voa”da copa de 82.

Mas, esse ano, temos uma novidade; apareceu um Rap falando sobre o craque evangélico Kaká, e que inclusive faz menção à sua crença religiosa. Que me recorde é a primeira vez que algo assim acontece. Aliás, desde que os atletas de Cristo se tornaram mais visíveis depois da conquista do tetracampeonato em 94, os jogadores de futebol que professam sua fé publicamente tem sido cada vez mais criticados pela mídia. Parece que andaram semeando uma certa antipatia pelos tais atletas de Cristo, e vez por outra podemos ouvir comentários de jornalistas e de anônimos falando de forma pejorativa sobre vários deles.

Claro que alguns fornecem munição para a imprensa, como Marcelinho carioca, que vivia se metendo em confusões e situações embaraçosas. Mas o Kaká, é protótipo do bom moço e do rapaz ajuizado. Não sei quem pode falar mal de uma pessoa como ele, sempre tão correto e coerente.

O tal rap, é de autoria do Dj Jamaika, que parece que é um rapper evangélico e conhecido do Kaká. Não é assim nada de fantástico, e traz as mesmas rimas pobres e métricas forçadas à fórceps de qualquer outra obra do gênero, mas não deixa também de ser interessante em alguns aspectos.

Primeiro, por comparar o futebol a um “campo de batalha”, algo que a RGT também. Pessoalmente não gosto muito dessa analogia; futebol e mesmo Copa do Mundo não deveriam passar de entretenimento para nós brasileiros e em especial para nós cristãos. Esse negócio de “pátria de chuteiras”ou de comparar futebol à guerra é resquício da ditadura e não leva à nada, a não ser à alienação.

Mas foi interessante também, ver homenageado pela primeira vez um jogador que não incorpora o estereótipo de malandragem, desonestidade e boemia que o publico brasileiro parece admirar tanto. Foi bom ver o bom caráter a ética serem valorizados na figura desse menino exemplar que é o Kaká.

Não acho que o rap vai pegar como outras canções do passado, até porque a letra é quilométrica e difícil de cantar, mas de toda forma valeu a iniciativa de prestar tributo a quem, independente dos resultados nos campos de futebol, já é mais que vencedor.

Um abraço,

Leon Neto