Parlamentar e ex-Ministra do Interior, na Finlândia, Päivi Räsänen
Parlamentar e ex-Ministra do Interior, na Finlândia, Päivi Räsänen

Seis membros do Congresso dos Estados Unidos condenaram a Finlândia por processar uma parlamentar cristã que poderá enfrentar seis anos de prisão por compartilhar suas crenças bíblicas sobre sexualidade e casamento.

Liderados pelo republicano Chip Roy, do Texas, os parlamentares americanos enviaram na quarta-feira passada (10) uma carta a Nadine Maenza, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA (USCIRF).

Eles condenaram os processos movidos contra Päivi Räsänen, ex-ministra do Interior da Finlândia, e o bispo da Missão Evangélica Luterana, Juhana Pohjola, e acreditam que sejam “violações da liberdade religiosa”.

Räsänen foi alvo de três acusações por expressar sua opinião sobre a sexualidade e casamento. Já Pohjola foi acusado por publicar o livreto de Räsänen.

Os parlamentares americanos pedem que a USCIRF considere esses processos ao recomendar quais países serão incluídos na lista de nações que violam a liberdade religiosa, desenvolvida pelo Departamento de Estado dos EUA.

“O governo finlandês está processando cristãos conhecidos por apoiar publicamente a consagrada doutrina cristã”, diz a carta.

Sobre o caso Räsänen

Räsänen expressou publicamente sua cosmovisão cristã em um livreto de 2004 sobre ética sexual, que define casamento como união entre homem e mulher. Ela também expressou suas opiniões sobre um programa de rádio de 2019 e mencionou a liderança da igreja sobre o assunto no Twitter.

Os promotores na Finlândia determinaram que as declarações de Räsänen depreciam e discriminam indivíduos LGBT e fomentam a intolerância e a difamação.

Os republicanos dos EUA argumentam que os processos “são exemplos específicos de violação da liberdade religiosa pelo governo finlandês”. Já a parlamentar finlandesa lembra que sua opinião não é ilegal e não deve ser censurada.

“Não posso aceitar que expressar minhas crenças religiosas possa significar prisão”, disse Räsänen em nota emitida pela ADF International, organização jurídica que faz sua defesa. “Não me considero culpada de ameaçar, caluniar ou insultar ninguém. Minhas declarações foram todas baseadas nos ensinamentos da Bíblia sobre casamento e sexualidade.”

Entre os signatários da carta de quarta-feira, estão os parlamentares Jody Hice, Paul Gosar, Michael Cloud e um pastor e ex-primeiro vice-presidente da Convenção Batista da Geórgia, Doug Lamborn.

Evangelho x cultura do cancelamento

Em seu discurso esta semana na Alliance Defending Freedom, em Washington, D.C., Pohjola alertou que sua acusação mostra o quanto “o Evangelho de Cristo está em jogo” por causa do pós-modernismo e da “cultura do cancelamento”.

“Quando o pós-modernismo varreu pela primeira vez os países ocidentais, seu núcleo básico era a negação da verdade absoluta. A única verdade é que você deve permitir que todos tenham sua própria verdade subjetiva”, disse Pohjola. “Esse hiperindividualismo continua, mas agora tem um tom diferente.”

“Se você é contra a ideologia LGBTQ+, a chamada diversidade, igualdade e inclusão, você não é apenas considerado antiquado… Mas rejeitado como moralmente mau. Isso é o que o procurador-geral entende que é seu dever, proteger os cidadãos frágeis e as vítimas dos cristãos intolerantes e cheios de ódio”, acrescenta.

Fonte: Guia-me