O governo da Coreia do Norte exigiu que o ex-detento e missionário cristão Kenneth Bae pare de “tagarelar” sobre tempo que ele passou em uma prisão do país, avisando que se ele não o fizer, não vai mais negociar com os Estados Unidos sobre a situação de dois cidadãos americanos que ainda estão sob custódia norte-coreana.

[img align=left width=300]https://thumbor.guiame.com.br/unsafe/840×500/smart/media.guiame.com.br/archives/2016/06/21/2816744558-keneth-bae.jpg[/img]”Enquanto Kenneth Bae continuar com sua sua tagarelice, não vamos prosseguir com qualquer compromisso ou negociações com os Estados Unidos sobre a libertação de detentos americanos, e certamente não haverá qualquer coisa como uma ação humanitária”, disse a agência de notícias do governo, KCNA.

“Se Bae continuar, os criminosos norte-americanos detidos no nosso país poderão ficar em um estado lamentável e talvez nunca mais voltarão a colocar os pés em sua terra natal, mais uma vez”, acrescentou.

Bae, um coreano-americano, foi o cidadão norte-americano que permaneceu mais tempo preso realizada na Coreia do Norte, desde a Guerra da Coreia. Ele estava administrando uma empresa de turismo legalizada na Coreia do Norte, quando foi condenado a trabalhos forçados por 15 anos, em abril de 2013. As acusações eram de que ele estava cometendo atos hostis contra o Estado e incentivando os cidadãos a trabalharem contra o governo.

Ele foi enviado para um campo de prisioneiros estrangeiros, onde cerca de 30 guardas vigiavam-no como seu único prisioneiro, mas foi liberto em novembro de 2014.

[b]Testemunho[/b]

Keneth Bae lançou o livro “Não Esquecido” – que fala sobre suas experiências – e disse que ele foi acusado de tentar derrubar o governo norte-coreano por meio de seu culto cristão e por espalhar ideias ocidentais.

Criticado sobre seu histórico de direitos humanos durante anos, a Coreia do Norte fez uso dos americanos detidos no passado, para extrair visitas de alto nível dos Estados Unidos, com o qual não tem relações diplomáticas formais.

Pyongyang agora está mantendo presos, dois cidadãos norte-americanos e ambos foram condenados a trabalhos forçados.

Em março (2016), Otto Warmbier, um estudante de 21 anos da Universidade da Virginia, foi condenado a cumprir 15 anos de trabalhos forçados, por tentar “roubar um banner de propaganda”, que leva o nome do ex-líder e ditador norte-coreano, Kim Jong Il.

Em abril (2016), um tribunal norte-coreano condenou o missionário coreano-americano Kim Dong Chul por crimes contra o Estado e o sentenciou a cumprir 10 anos de trabalhos forçados.

No ano passado, o missionário canadense Hyeon Soo Lim também foi condenado a trabalhos forçados, com uma sentença de prisão perpétua, por causa da acusação de subversão ao Estado norte-coreano.

A Coreia do Norte tem sido constantemente chamada de o “pior país do mundo para se viver como um cristão”. Sob a atual ditadura de Kim Jong-un, o governo mantém controle absoluto por meio da repressão sistemática dos seus cidadãos.

De acordo com a missão internacional ‘Ajuda à Igreja que Sofre’, da população cristã da Coreia do Norte (400.000 a 500.000, atualmente), acredita-se que pelo menos 50.000 estejam sendo mantidas em campos de trabalhos forçados, enquanto dezenas de milhares de cidadãos, incluindo muitos cristãos, acabaram desertando para países como a vizinha Coreia do Sul, China, Mongólia e Rússia.

[b]Fonte: Guia-me[/b]