Ex-muçulmana se interessou pelo cristianismo após assistir um filme na escola
Ex-muçulmana se interessou pelo cristianismo após assistir um filme na escola

Ser cristã ex-muçulmana no Norte da África não é tarefa fácil. Ainda mais em um país onde o islamismo é predominante. Na cultura local, as mulheres não podem sair sozinhas, dificultando assim o encontro com outros cristãos.

Islèm* é uma jovem de 22 anos que segue a Cristo em segredo desde novembro de 2013. Ela nunca havia cogitado mudar a fé. “Foi uma surpresa para mim. Eu nunca tinha pensado antes em me tornar cristã ou filha de Deus”, confessa.

A jovem foi ensinada de que os cristãos são pessoas que moram no exterior, em países como Estados Unidos, França e Itália. Acreditava que os seguidores de Jesus tinham aval para fazer todos os tipos de coisas ruins, e que a Bíblia não era exata, porque tinha sido escrita por humanos e não por Deus. Porém, quando estava na escola primária, assistiu um filme onde uma mulher aparecia sempre orando a Deus; ela pedia muitas coisas e agradecia por outras também.

“Isso foi um pouco estranho para mim, porque no islã sempre pedimos a Deus que nos desse algo, mas nunca pensamos em agradecer a ele por alguma coisa”, compara. Naquela mesma noite, Islèm resolveu fazer o mesmo, pois estava preocupada.

O passo seguinte foi procurar, no Facebook e Youtube, pessoas que estivessem explicando mais sobre Cristo. “Eu tentei descobrir quem era Jesus. Eu queria saber por que aquela mulher estava orando e agradecendo. Quem era Jesus na verdade? Eu não fiquei satisfeita com o que encontrei, mas desisti de minha pesquisa depois de cerca de um mês”, conta. Islèm tentou conversar com amigos cristãos da Síria, mas ao falar um pouco sobre o Alcorão, perdeu o contato com os colegas.  “Para dizer a verdade, naquela época pensei que não havia cristãos no Norte da África. Eu pensei que era a primeira pessoa que poderia se tornar cristã na região.”

Por um momento ela desistiu de entender mais sobre o cristianismo, até que os problemas em casa começaram. “Meu pai estava saindo muito de casa e não era legal com minha mãe, ele era agressivo”, conta. Nessa época, a jovem começou a fumar e se tornou violenta. “Tentei cometer suicídio tomando um remédio exagerado e cortando os pulsos. Psicologicamente, eu estava uma bagunça, tudo que conseguia pensar era em morrer”, lembra.

Islèm foi levada ao hospital, e ficou internada por causa de infecção nos rins. De acordo com os médicos, o problema de saúde era consequência dos hábitos que ela estava cultivando. Nos dois meses internada, a jovem via apenas o noivo, que também era muçulmano. Durante uma noite, ela olhou para a janela do quarto em que estava e perguntou a Deus o porquê de viver aquela situação. Pediu para ele revelar o propósito da vida dela. “No dia seguinte, o médico disse que eu poderia sair do hospital. A primeira coisa que disse à minha mãe foi que ela deveria se divorciar do meu pai, porque ele a tratava mal. Ela fez isso, e quando saí do hospital nos mudamos para a casa dos meus avós. Tirei meu véu porque queria começar uma nova vida com a minha mãe. Também acabei com o relacionamento com meu noivo”, testemunha.

A primeira coisa que Islèm fez ao chegar em casa foi acessar o Facebook pelo smartphone e procurar uma página de cristãos do país dela. Ela fez o primeiro contato, mas as pessoas ficaram com medo dela ser uma extremista, já que a página da jovem estava relacionada ao islamismo.

Mais tarde, ela entrou em contato com um pastor, que também tinha dúvida sobre a conversão genuína da garota. Ele enviou uma adolescente com uma Bíblia para entregar à Islèm. “Ela pensou que me daria a Bíblia e partiria. Mas para mim era uma coisa nova encontrar cristãos, então não queria que ela fosse embora. Perguntei para onde ela e seu irmão estavam indo. Responderam que iam à igreja. Perguntei se poderia ir com eles e ela disse que sim.”

Na igreja, ela leu a palavra pela primeira vez e o pastor explicou o versículo de João 14.6. Tudo passou a fazer mais sentido, já que as palavras do líder cristão respondiam às perguntas que Islèm fez a Deus enquanto estava internada. A partir daí passou a frequentar os cultos, e depois de dois anos foi batizada.

A fé da cristã ex-muçulmana é secreta, apenas a mãe dela sabe que passou a seguir Jesus. Mesmo assim Islèm tem participado de grupos de estudo bíblico na igreja. Ela é acompanhada pela esposa do pastor local, de quem recebe conselhos e incentivo para crescer na fé.

“Jesus é como oxigênio, porque sem oxigênio você não pode respirar. Se Cristo não estivesse na minha vida, eu não estaria aqui hoje, não estaria viva. Eu mudei e, apesar de algumas dificuldades, não posso deixar Jesus. Não importa o que aconteça na minha vida, não posso abandoná-lo”, conclui.

*Nome alterado por segurança

Fonte: Portas Abertas