Carlos Alberto Decotelli escolhido por Bolsonaro para ser Ministro da Educação, não chegou a tomar posse e pediu demissão após polêmicas em relação ao seu currículo

O ex-ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, declarou em entrevista ao UOL que o racismo foi um fator determinante na sua demissão após processo de desgaste junto ao presidente Bolsonaro e aos militares. Segundo Decotelli: ”Há muitos brancos com imperfeições em currículo trabalhando sem incomodar ninguém” .

Evangélico, Decotelli foi nomeado ministro na semana passada, mas pouco tempo à frente da pasta decidiu se demitir por conta da forte pressão que recebeu por ter fraudado informações acadêmicas e profissionais em seu currículo.

O ex-ministro foi desmentido por universidades da Argentina e da Alemanha sobre os seus títulos de doutor e pós-doutor respectivamente, além de ter sido acusado de plagiar sua tese de mestrado apresentada à FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Nas redes sociais houve um debate sobre se o fato de Decotelli ser negro influenciou na pressão de que foi alvo por conta das fraudes. Usuários lembraram que outros dois ministros do governo Bolsonaro, Damares Alves da Mulher, Família e Direitos Humanos e Ricarod Salles do Meio Ambiente, também foram expostos por erros nos currículos mas se permaneceram no cargo  e não sofreram tantos ataques.

Decotelli afirma ter sido alvo de boicote da FGV por “interesses obscuros, não declarados, na intenção de apoiar outro ministro a ser indicado”. A universidade divulgou que Decotelli nunca foi professor da insittuição, mas passsaram a circular nas redes fotos de homenagens da instituição a Decotelli em que chamam o ex-ministros de “professor”.

Decotelli ministrou a última aula pela  instituição,na disciplina de Administração de Recursos de Longo Prazo no MBA de Finanças, na noite de ontem.[Me sinto] Destruído e massacrado na minha integridade como professor”, disse o ex-ministro.

Decotelli diz ter pedido ontem o seu desligamento da instituição. O ex-ministro também enviou à reportagem fotos de prêmios que diz ter recebido por suas atividades na FGV. Todos se referem a ele como “professor” e datam de 2011 a 2016.

Em nota, a instituição declarou que Decotelli atuou “apenas nos cursos de educação continuada, como professor colaborador”. “Como tal, deu aula ontem, o que corrobora as informações prestadas, repita-se, de que atuava como professor nos cursos de educação continuada”.

A fundação declarou ainda que irá apurar, por meio de uma comissão específica, todas as denúncias que dizem respeito a um eventual plágio na dissertação de mestrado apresentada pelo ex-ministro. Decotelli nega ter cometido plágio, mas disse que revisará o trabalho “por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados”.

Fonte: Último Segundo e UOL