O primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira, do partido Republicanos-SP. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - março 2020)
O primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira, do partido Republicanos-SP. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados - março 2020)

O deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e atual 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados, se reuniu com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para pedir ajuda em empréstimos de bancos públicos para igrejas.

A reportagem é de Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, na edição desta sexta-feira (1º) de O Estado de S.Paulo.

O encontro se deu em meio a divulgação de interferência de Jair Bolsonaro na Receita Federal para perdoar dívida de R$ 144 milhões da Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares.

“O que houve foi pedido de ‘esclarecimento’ a respeito da possibilidade de instituições financeiras poderem emprestar para instituições religiosas”, afirmou Pereira, que é uma das lideranças do Centrão, ao jornal.

Pereira é uma das lideranças do chamado Centrão, bloco de partidos com o qual Bolsonaro articula uma aproximação para aumentar a base de apoio do governo no Congresso Nacional.

Segundo a reportagem, Pereira foi junto com um grupo de deputados da bancada evangélica pedir um parecer do Banco Central para que as igrejas possam contrair empréstimos junto a bancos estatais, como a Caixa e o Banco do Brasil.

O BC não negou nem confirmou o pedido do parecer. “No âmbito da regulação expedida pelo Banco Central ou pelo Conselho Monetário Nacional, o BC informa não haver qualquer vedação normativa para a concessão de empréstimos por instituições financeiras a entidades religiosas ou a instituições sem fins lucrativos”, disse a instituição também em nota ao Estadão.

Atualmente, os bancos não costumam emprestar dinheiro para igrejas, que só oferecem como lastro imóveis e dízimos dos fiéis, que são de difícil cobrança em caso de inadimplência.

A reclamação de parlamentares ligados à bancada evangélica é que o governo já socorreu grandes empresas, mas ainda não estendeu a mão às igrejas, que precisaram fechar para evitar aglomerações durante a pandemia e estão recolhendo menos dízimo dos seus fiéis.

O temor entre os técnicos da área econômica é que a pressão dos evangélicos leve a Caixa Econômica Federal a conceder uma série de financiamentos para as igrejas na esteira da pandemia da covid-19.

Fonte: Revista Fórum e Estadão