Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo federal tem apostado em pautas em alta na política para se aproximar de grupos evangélicos e conservadores, com as eleições se aproximando. O discurso, em alguns casos, foi moldado em discussões internas do próprio governo. Os dois principais assuntos explorados são as plataformas de apostas online, popularmente conhecidas como “bets”, e a extinção da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias de labor para um de descanso.

Esses temas têm aparecido com frequência nas declarações de membros do governo e serviram de “gancho” para mensagens direcionadas a conservadores e evangélicos nos últimos dias. Em entrevista concedida na terça-feira (14), o presidente Lula criticou as plataformas de apostas, posicionando-se como um cristão, apesar de ser católico. Para o chefe do Executivo e seu grupo político, parte do endividamento da população tem relação com as “bets”, que estariam “assaltando o povo”.

“E agora tem as bets para assaltar o povo”, declarou o petista. “Nós brigamos a vida inteira contra cassino, eu pelo menos, como cristão, agora o cassino está dentro da sua casa”, acrescentou o presidente, que uma semana antes já havia manifestado o desejo de fechar as plataformas. “Se fazem tão mal, por que a gente não acaba? Estamos tentando discutir isso”, afirmou.

Na mesma ocasião, Lula ressaltou ter o “compromisso moral, ético e até cristão de não permitir que os fascistas voltem a governar”, numa tentativa de dissipar especulações sobre sua candidatura à reeleição. O presidente, que historicamente evitou misturar religião e política, em 2022 aceitou divulgar uma carta ao público evangélico apenas após insistência de aliados, acreditando que propostas econômicas atrairiam o segmento.

A pesquisa Datafolha da semana passada, no entanto, indicou que o adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, possui o dobro da intenção de voto entre evangélicos, embora o cenário geral para o segundo turno aponte um empate técnico entre os dois, com 45% para Lula e 46% para Bolsonaro, dentro da margem de erro de dois pontos.

Um dia após a fala de Lula, na quarta-feira (15), o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, acenou aos conservadores ao divulgar um projeto de lei que visa o fim da escala de trabalho 6×1. Boulos associou a proposta à defesa da família, um pilar importante para o público conservador. A ideia de fazer essa ligação foi percebida por integrantes do governo em discussões internas sobre o tema.

“O projeto de lei com urgência do fim da escala 6×1 é o projeto da família trabalhadora. Porque quem defende a família no Brasil, defende que o trabalhador e a trabalhadora possam ficar mais tempo com a sua família”, declarou Boulos.

O ministro também ponderou que a aprovação do projeto daria mais tempo para as pessoas frequentarem a igreja, um argumento que, segundo relatos, teria sido originado por ele. Ele destacou a importância da medida para as mulheres, que muitas vezes ficam sobrecarregadas com o trabalho e as responsabilidades domésticas. “Ela não tem descanso, não tem tempo de lazer, não tem tempo de ir para a igreja, não tem tempo de assistir a um jogo de futebol”, disse o ministro, ressaltando o impacto para a vida delas.

Folha Gospel com informações de Folha de S.Paulo

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