Papa Francisco celebra domingo de Páscoa com portas fechadas na Basílica de São Pedro, no Vaticano Imagem: Vatican Media/AFP
Papa Francisco celebra domingo de Páscoa com portas fechadas na Basílica de São Pedro, no Vaticano Imagem: Vatican Media/AFP

O papa Francisco pediu neste domingo de Páscoa (12), data em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo, um cessar-fogo mundial e imediato para combater a pandemia do coronavírus.

Ele fez um apelo para que a Europa se mostre solidária e adote soluções inovadoras para enfrentar essa crise sanitária inédita. Francisco também propôs “reduzir” ou “anular” as dívidas dos países pobres.

Em sua mensagem “Urbi et Orbi” (“À cidade de Roma e ao mundo”), que acontece sempre nos dias de Páscoa e no Natal, o líder da Igreja Católica fez coro aos pedidos de nações como Cuba, Irã e Venezuela, que são alvos de sanções promovidas pelos Estados Unidos.

No interior da Basílica de São Pedro esvaziada de fiéis e na presença de apenas alguns membros do Vaticano, o chefe da Igreja Católica celebrou a missa de Páscoa, com transmissão ao vivo pela TV para 1,3 bilhão de católicos no mundo. Em sua mensagem, Francisco lançou um apelo à redução das sanções internacionais, para ajudar os países a enfrentarem a crise da Covid-19.

Em um mundo “oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova nossa grande família humana”, o papa pediu a todos para responder à crise pelo “contágio da esperança”. Ele defendeu “que as sanções internacionais que impedem os países afetados pela Covid-19 de prestar o apoio adequado aos seus cidadãos sejam liberados” dessas penalidades. Os Estados Unidos, por exemplo, se recusam a suspender as sanções econômicas impostas ao Irã, país fortemente afetado pela pandemia do coronavírus. Francisco pediu mais solidariedade internacional, lembrando que as dívidas pesam sobre os orçamentos dos países mais pobres.

O papa argentino criticou o comércio de armas e propôs “um cessar-fogo global e imediato em todas as regiões do mundo”. “Este não é o momento de continuar fabricando e traficando armas, gastando um capital enorme que deve ser usado para curar pessoas e salvar vidas”, disse o pontífice.

O papa mencionou o Iêmen e a Síria, mas também o Iraque, o Líbano, o conflito israelo-palestino e o leste da Ucrânia. “Os ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes” na África, o drama dos migrantes e da situação humanitária no norte de Moçambique.

Francisco disse esperar que “soluções concretas e imediatas” sejam encontradas na Venezuela “para conceder ajuda internacional à população”.

Em um apelo específico à Europa, ele disse que os europeus devem buscar “o espírito concreto de solidariedade que lhes permitiu superar rivalidades no passado”, como após a Segunda Guerra Mundial. Diante da pandemia global que atinge duramente países como Itália, Espanha e França, devemos recorrer a “soluções inovadoras” e esquecer o “egoísmo”, recomendou.

A União Europeia anunciou esta semana um pacote de 500 bilhões de euros para recuperar a economia do bloco, mas permanece dividida em relação a um compartilhamento das dívidas acumuladas pelos países mais pobres do bloco, e que são os mais fortemente afetados pela Covid-19. Os governos da Itália e da Espanha pleiteiam um sistema de endividamento que o norte mais rico recusa, principalmente a Alemanha e a Holanda. “Que esses irmãos e irmãs mais fracos, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo, não sejam deixados sozinhos”, exortou o soberano pontífice.

O papa Francisco ainda dirigiu um pensamento especial para os “idosos e solteiros”, “os médicos e as enfermeiras”, “a polícia e os militares”, todos aqueles “que trabalham em casas de repouso ou que “moram em quartéis e prisões”.

“Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida de luto e pelas muitas dificuldades que a pandemia causa, do sofrimento físico aos problemas econômicos”, afirmou.

Fonte: RFI com informações da AFP