Fachada e logo da sede da CNBB
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A CNBB (Conferência Nacional de Bispos no Brasil) detonou o governo Lula (PT) por supostas ações de “flexibilização ao aborto”. O grupo que representa a Igreja Católica publicou uma nota nesta quarta-feira (18) para criticar a revogação da portaria que avisava às autoridades policiais em caso de aborto legal.

“É preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social”, diz trecho da nota. O documento foi intitulado pela entidade com a frase “A vida em primeiro lugar”.

No dia 13 de janeiro, a ministra da Saúde Nísia Trindade assinou a revogação da portaria e publicou no Diário Oficial da União. O documento revogado foi criado em setembro de 2020, quando a pasta da Saúde era administrada pelo então ministro Eduardo Pazuello.

A norma determinava a notificação para policiais todas às vezes que fossem necessárias realizar o aborto permitido por lei. A regra também obrigava o aviso quando os médicos decidissem fazer o procedimento em um centro cirúrgico ao perceberem que a mãe corre risco de morte.

Especialistas avaliaram que a medida feria a previsão de sigilo em atendimentos e trazia o risco de levar a mulher ao aborto ilegal, já que poderia causar constrangimento e o sentimento de que a vítima do estupro era a investigada, e não o seu agressor.

A entidade apontou que o presidente Lula se comprometeu a ser contra a legalização do aborto. “A hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz”, afirmou. Porém, a revogação da nota não autoriza a legalização da ação.

A autorização só ocorre em caso de violência sexual, quando o feto é anencéfalo ou quando o parto coloca em risco a vida da mulher. Quem faz qualquer aborto não seguindo a lei, pode ser punido de 1 a 3 anos de detenção.

Voltaram a vigorar medidas previstas numa portaria de 2017 sobre o tema, que já estabelecia uma série de procedimentos para justificar e autorizar a interrupção da gravidez, mas não falava sobre a necessidade de comunicação à polícia.

Além desta portaria sobre o aborto também foram revogadas:

·         a portaria nº 4.809, de 30 de dezembro de 2022, que “Institui o Fórum Permanente de Articulação com a Sociedade Civil”;

·         a portaria nº 1.079, de 11 de maio de 2022, que “formaliza e institui programas nacionais de prevenção e detecção precoce de câncer, no âmbito da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer”;

·         a portaria nº 3.473, de 12 de setembro de 2022, que “Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 5, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização, e dá outras providências”;

·         a portaria nº 715, de 4 de abril de 2022, que “Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017, para instituir a Rede de Atenção Materna e Infantil (Rami)”;

·         a portaria nº 2.228, de 1º de julho de 2022, que “Altera a Portaria de Consolidação GM/MS nº 3, de 28 de setembro de 2017, e a portaria de Consolidação GM/MS nº 6, de 28 de setembro de 2017, para dispor sobre a habilitação e o financiamento da Rede de Atenção Materna e Infantil (RAMI)”.

Confira abaixo a íntegra do documento:

A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Nota da CNBB

“Diante de vós, a vida e a morte. Escolhe a vida!” (cf. Dt 30,19)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não concorda e manifesta sua reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto. Assim, as últimas medidas, a exemplo da desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e a revogação da portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais, precisam ser esclarecidas pelo Governo Federal considerando que a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha.

A hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz. É preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social.

A Igreja, sem vínculo com partido ou ideologia, fiel ao seu Mestre, clama para que todos se unam na defesa e na proteção da vida em todas as suas etapas – missão que exige compromisso com os pobres, com as gestantes e suas famílias, especialmente com a vida indefesa em gestação.


Não, contundente, ao aborto!


Possamos estar unidos na promoção da dignidade de todo ser humano.

Brasília-DF, 18 de janeiro de 2023

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

Folha Gospel com informações de Últimas Notícias e CNBB

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