Ossos de aves encontrados comprovam sacrifícios de pombos em Jerusalém - Universidade de Tel Aviv/Abra Spiciarich

Segundo um estudo publicado na revista científica Bulletin of the American Schools of Oriental Research (ASOR), pássaros como pombos eram sacrificados na antiga Jerusalém em templos. A afirmação está em acordo com trechos bíblicos que reforçam a importância do animal na região.

Em Gênesis 8:10-11, por exemplo, temos: “[Noé] esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca. E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra”.

Em Levíticos 5:7 diz: “Mas, se em sua mão não houver recurso para gado miúdo, então trará, para expiação da culpa que cometeu, ao SENHOR, duas rolinhas ou dois pombos; um para expiação do pecado, e o outro para holocausto”.

Alguns especialistas, porém, eram céticos quanto ao uso do animal para sacrifícios. “Todos os animais que são definidos como sacrifícios na Bíblia são espécies domesticadas, enquanto pombos não são o que as pessoas pensam como domesticadas. Portanto, alguns estudiosos da Bíblia afirmaram que as pessoas naquela época não sacrificavam pombos, mas sim galinhas que eram domesticadas ”, explicou a arqueóloga Abra Spiciarich, da Universidade de Tel Aviv.

A pesquisadora liderou uma equipe que descobriu diversos restos mortais de pássaros em 19 pontos específicos de Jerusalém. Eles foram encontrados principalmente em locais próximos ao Monte do Templo, entre o período do Primeiro Templo ou da Idade do Ferro II, entre 1.000 e 586 a.C.

Como foram desenterrados em pontos que estavam ligados à religião, e estavam quase ausentes em áreas habitadas por indivíduos comuns, Spiciarich acredita que isso confirme as histórias bíblicas de uso de pombos para sacrifício.

“Isso realmente mostra uma fronteira sobre como se usavam os animais, um tópico sobre o qual aprendemos também em outros textos, como Flávio Josefo [historiador] e o Novo Testamento. A história é refletida nos textos e na arqueologia”, concluiu a arqueóloga.

Fonte: Aventuras na História – UOL