A visita do presidente francês François Hollande nesta sexta-feira ao Papa coincidiu com a explosão de uma bomba caseira perto de uma igreja francesa em Roma e uma falsa ameaça de bomba no Vaticano.

A explosão da bomba artesanal, por volta das 1h30 GMT (23h30 de quinta-feira no horário de Brasília), causou estragos materiais, “quebrando a janela de um edifício e danificando três carros estacionados” em Vicolo della Campana, uma pequena rua no centro histórico da capital italiana e não teve relação com a presença de presidente francês no país, indicou a polícia à AFP.

Tratou-se de um projétil de fabricação caseira, indicou um policial entrevistado no local do incidente.

Investigadores citados pela agência de notícias Ansa negaram qualquer ligação entre a explosão perto da igreja francesa de Saint Yves des Bretons e a visita ao Vaticano do presidente francês.

De acordo com a polícia, “o posicionamento da bomba não confirmou que era destinado para atingir a igreja”.

À margem de uma declaração à imprensa do presidente da França, o ministro do Interior, Manuel Valls, disse ter “falado com as autoridades italianas e que não há nenhuma razão para acreditar que a explosão tenha relação com a viagem do presidente”.

Vários vizinhos disseram à AFP que na mesma rua há uma boate que está ligada a um restaurante gerido pela Camorra, a máfia napolitana, fechado esta semana pela polícia.

Seria um lugar “de má reputação”, de acordo com moradores locais, que lembraram que há um ano esta área foi palco de um tiroteio.

Benoît Schmitz, um pesquisador que vive nas proximidades, relatou ter sido acordado às 2h00 da manhã. “Eu não sei qual o motivo para essa explosão. Ela acionou os alarmes e a polícia chegou muito rápido”, disse à AFP.

As medidas de segurança foram reforçadas para a visita de Hollande.

Neste contexto, os policiais relataram nesta manhã uma falsa ameaça de bomba na colunata de São Pedro. “Recebemos uma chamada pelo 112 (número de emergência), patrulhas foram realizadas no Vaticano, mas a polícia não encontrou nada”, disse à AFP um porta-voz.

Um porta-voz do Vaticano, o padre Ciro Benedettini, declarou que “um telefonema anônimo foi recebido às 8h30 GMT” pela polícia italiana sobre “duas bombas” na Praça São Pedro.

“A polícia não encontrou nada”, disse o padre Ciro, salientando que a cada visita de um chefe de Estado, a praça passa por um controle da polícia do Vaticano.

Hollande manteve uma reunião a portas fechadas durante 35 minutos com Francisco, na qual reiterou ao Papa que “defende em todos os lados a liberdade religiosa”.

O presidente francês aproveitou para pedir ao Vaticano que receba a oposição síria, dentro das negociações de paz depois de três anos de conflito na Síria.

“Manifestei o desejo de que o Vaticano receba a Coalizão Nacional Síria”, declarou Hollande ao final da audiência privada com o papa Francisco.

O Vaticano foi convidado a participar na conferência de Genebra sobre a Síria e há dez dias celebrou uma série de reuniões com especialistas católicos, que recomendaram envolver as comunidades de todas as religiões presentes no país no processo de paz, assim como representantes de todos os países da região, incluindo o Irã.

[b]Fonte: AFP[/b]