Mulheres da organização Católicas pelo Direito de Decidir divulgaram comunicado ressaltando a crescente presença pública de grupos católicos conservadores que “procuram pressionar e impor dogmas e doutrinas de fé como políticas públicas para todos os paraguaios e paraguaias”.

A organização afirmou que a hierarquia conservadora da Igreja Católica vem negando, tanto às mulheres católicas como às mulheres que não professam nenhuma fé, o direito de gozarem de todos os Direitos Humanos com o objetivo de influir nas políticas públicas do país. “Cremos que estas atitudes e ações representam e geram violência simbólica, como tentativas de impor uma forma de pensar não só a todos os católicos, mas também àqueles que professam outra fé e a quem também têm o direito de não professar nenhuma religião”.

A Constituição Nacional Paraguaia, de 1992, determina que “nenhuma confissão terá caráter oficial”, outorgando uma ferramenta jurídica importante para a exigibilidade do caráter laico do Estado paraguaio. O Estado não tem religião e por isso tem a obrigação de legislar para todos sob princípios democráticos e sobre a base dos Direitos Humanos.

O comunicado aponta que estudos em todo mundo demonstram que católicos utilizam anticonceptivos e estão a favor do uso da camisinha para prevenir a disseminação do HIV. A proibição da anticoncepção, no entanto, impediu o acesso a métodos de planejamento familiar confiáveis e camisinhas para muitas mulheres e homens ao redor do mundo.

“Fica claro então que a Igreja Católica não poderá avançar enquanto não confrontar o paradoxo da Humanae Vitae: a maioria dos católicos utiliza métodos modernos de anticoncepção, crê que fazer isso é uma opção moralmente boa e se considera bons católicos. A hierarquia, no entanto, nega por completo esta realidade, submetendo o clero ao silêncio neste campo e na maioria dos assuntos relacionados à sexualidade”.

Católicas pelo Direito de Decidir conclui que a Igreja Católica fala de valores, não de direitos, quando se refere às mulheres. A Igreja Católica deve ser capaz de reconhecer e assumir a diversidade de pensamentos existente no interior dela sobre diferentes temas, não como ameaça, mas como riqueza, expressam.

“Acreditamos na construção de uma Igreja Católica que passe do discurso retórico à vivência concreta da liberdade de expressão, da igualdade, da justiça social, da democracia, do respeito, da ética, do pluralismo e da não discriminação. Não queremos imposições de pensamentos únicos ou verdades inquestionáveis nem da sociedade, nem de nenhuma religião ou credo”, finalizam.

Fonte: ALC