Pastor Douglas Michael é acusado de vender pacotes de viagens falsos
Pastor Douglas Michael é acusado de vender pacotes de viagens falsos

Um grupo formado por 50 pessoas acusa um pastor evangélico de usar da boa fé alheia para enganar os fiéis, com a venda de pacotes de viagens falsos. Os estelionatos, segundo as vítimas, se espalharam pelo Distrito Federal e atingiram religiosos de outros estados, como São Paulo e Minas Gerais.

Uma série de ocorrências foram registradas na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), afirmando que Douglas Michael de Sant’ana Nazário, 27 anos, faturou alto usando uma empresa que captava clientes, mas jamais entregava os bilhetes de embarque.

Boa parte dos compradores frequentavam as igrejas onde o pastor pregava. Outros eram parentes de féis que costumavam acompanhar os cultos ministrados por Douglas Michael. Garantindo ser idôneo e um “homem de Deus”, o líder religioso costumava levar os contratos até a casa dos devotos e sacramentava a venda dos pacotes.

O pastor seduzia os pretensos clientes com valores atrativos. Passagens a R$ 300 para destinos badalados no Nordeste e Sudeste eram os campeões de vendas.

Uma técnica de enfermagem, de 37 anos, comprou 14 pacotes para a família e amigos, todas para destinos como Rio de Janeiro e Alagoas. “O objetivo era viajar em fevereiro deste ano para comemorar aniversario da minha filha e, em julho, para comemorar meu aniversário. Gastei R$ 3,7 mil e nunca consegui embarcar”, disse.

Sonho desfeito

Um dos pacotes adquiridos pela família realizaria o sonho de uma criança em conhecer o mar. “Minha sobrinha ia à praia pela primeira vez. Ela e a mãe haviam comprado tudo para a viagem. Até hoje a menina chora querendo ir à praia. Isso é revoltante, pois ela pega os biquínis e faz as malas e a mãe depois desfaz”, contou a vítima.

A auxiliar de enfermagem tentou negociar o reembolso, mas o pastor afirmou que desejava fazer o pagamento parcelado em cinco vezes. “Depois, ele sugeriu pagar em duas vezes e eu aceitei. Porém, nunca fez o depósito. Ele falou para o meu advogado que não tinha dinheiro em caixa devido aos ataques sofridos no Instagram, e ainda pediu acordo para que eu não fizesse nenhuma postagem contra ele”, relatou a mulher.

A coluna conversou com outras vítimas do pastor golpista. Entre elas, uma mulher que estava grávida e havia comprado uma viagem para fazer um concurso público. Com a chegada do dia da prova, e sem receber os bilhetes de embarque, a jovem precisou percorrer 1,8 mil quilômetros, do Rio de Janeiro até Campo Grande, no Mato Grosso, de carro.

De acordo com outra vítima, uma jovem de 24 anos, que comprou quatro pacotes com o pastor, a sua história é semelhante à de outros alvos do pastor. A data da viagem chegou e ela não conseguiu embarcar. “Quando eu percebi o golpe, não havia mais solução, pois fiz o pagamento via Pix e não tinha como pedir o estorno. Várias pessoas da minha família compraram pacotes com o Douglas, inclusive para a Argentina e nunca viajaram”, desabafou.

O outro lado

O pastor Douglas Michael foi procurado pela reportagem do portal Metrópoles para que se posicionasse sobre as denúncias, ocorrências policiais e processos cíveis abertos contra ele. Segundo o religioso, em 10 de junho deste ano, houve um imprevisto com alguns clientes. “A empresa que trabalha com milhas aéreas é terceirizada, mas o fornecedor não entregou, lesando não só os clientes, como também a empresa. Desde sempre, mantemos nossos clientes informados e verificando a possibilidade de remarcação ou devolução dos valores”, alegou o pastor.

O líder evangélico disse, ainda, que em 13 de junho, iniciou os estornos dos valores pagos. “Um cliente insatisfeito criou um perfil no Instagram usando informações falsas e gerando medo e terror aos clientes, dizendo que o proprietário seria golpista. Dessa forma, com difamação, calúnia, afastaram futuros clientes, trazendo um momento delicado financeiramente. A empresa deixa claro que jamais vai lesar nenhum cliente”, garantiu o pastor, por meio de nota.

Fonte: Metrópoles

SIGA O FOLHAGOSPEL NO INSTAGRAM: @FOLHAGOSPEL

Comentários