Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal e atual prefeito do Rio de Janeiro (julho 2018)
Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal e atual prefeito do Rio de Janeiro (julho 2018)

Gabriel Sabóia
Do UOL, no Rio

No dia seguinte ao arquivamento do processo de impeachment pela Câmara do Rio, o prefeito Marcelo Crivella (PRB), afirmou que se sente “fortalecido” e “aliviado” pelo placar de 35 a 13 que o livrou da cassação.

Para que o chefe do Executivo municipal deixasse o cargo, seriam necessários ao menos 34 votos contra ele –o equivalente a dois terços dos 51 vereadores da Casa.

Foi a primeira vez, desde a redemocratização, que um prefeito do Rio passou por um processo de impeachment.

“Com 35 votos [de vereadores], o governo pode caminhar, a gente pode aprovar as leis, isso é importante para a cidade. Se a gente tivesse ganhado por uma diferença de dois, três votos, sairia enfraquecido. Teríamos passado pelo impeachment, mas não teríamos condições de governar com a Câmara, o que seria muito ruim para a cidade”, afirmou prefeito, que completou se dizendo “fortalecido com tudo isto”.

As declarações foram dadas por Crivella em agenda pública realizada na Cidade de Deus, na zona oeste carioca, na manhã de hoje. O prefeito não escondeu que havia amanhecido “aliviado”.

“Me sinto, sim [aliviado]. Graças a Deus, superamos essa etapa. Foi uma confusão tremenda, três meses de luta de audiências públicas. Foi o primeiro processo [de impeachment] e acredito, o único em que as testemunhas de acusação depuseram a meu favor. Então, foi uma coisa inusitada, né?”, disse em referência às testemunhas arroladas pela acusação que afirmaram, em depoimento, que Crivella não exerceu pressão para que contratos fossem renovados.

A denúncia que motivou o impeachment afirmava que Crivella cometeu atos de improbidade administrativa durante a renovação de contratos de exploração de publicidade no mobiliário urbano, no ano passado. A Comissão Processante que analisou os documentos, no entanto, não detectou infrações por parte do prefeito. O relatório produzido pela comissão embasou os votos dos vereadores.

Crivella fez vídeo de agradecimento antes da votação

Depois da votação que o livrou do impeachment, Crivella divulgou um vídeo em suas redes sociais agradecendo a Deus pela absolvição e aos vereadores que “entenderam o estado de crise no qual assumi a prefeitura”.

Um detalhe, no entanto, chama a atenção: o registro publicado às 17h40 desta terça-feira (25) foi feito em ambiente externo, durante o dia. Já a votação foi concluída na Câmara dos Vereadores por volta das 17h20, mesmo horário em que o sol se punha.

Procurada para esclarecer em que momento o vídeo foi gravado, a assessoria do prefeito ainda não se manifestou. Com quase cinco minutos de duração, o vídeo conta com gráficos, ilustrações e montagens, o que denota trabalho de edição.

“Estejam certos que vamos vencer esta crise. Encontrei uma prefeitura estraçalhada pela corrupção. O Rio vai vencer. Quem planta com lágrimas colhe com alegrias”, diz o prefeito, antes de enaltecer realizações do seu governo.

No início do mês, Crivella já mostrava confiança na absolvição. Em agenda pública, ele afirmou que o processo de impeachment estava “morto e seria varrido para o lixo da história”. As declarações foram dadas por Crivella no dia seguinte ao aniversário do presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB). Crivella compareceu à comemoração e, menos de 24 horas depois, Felippe defendeu a permanência de Crivella no cargo, em entrevista ao UOL.

Fonte: UOL