“Devemos conjurar o risco de ruptura”, advertiu o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams (foto), líder mundial dos anglicanos.

Profundamente dividida diante da futura ordenação de mulheres no bispado e a aceitação em seu seio de prelados abertamente homossexuais, a hierarquia anglicana deu o primeiro passo para adotar uma espécie de cláusula ou aliança (“covenant”) que garanta a unidade de todos os seus membros.

O sínodo da Igreja da Inglaterra iniciou seu trajeto para os próximos cinco anos com uma votação realizada na quarta-feira (24) que ratificou a adesão obrigatória das paróquias à doutrina oficial, acima da disputa entre tradicionalistas e progressistas. “Devemos conjurar o risco de ruptura”, advertiu seu primaz, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams.

O sínodo, a única instituição junto ao Parlamento britânico com poder para legislar, adotará essa cláusula em 2012 se as dioceses da congregação a aprovarem. Esse gesto, que para os setores mais abertos da Igreja Anglicana representa uma marca autoritária diante das dissidências, foi na realidade contestado na quarta-feira pelos membros mais imobilistas da Igreja, que temem a “feminização” do bispado 16 anos depois da primeira ordenação de mulheres sacerdotes.

Se a rainha Elizabeth 2ª, que inaugurou na terça-feira (23) o sínodo na qualidade de chefe política da Igreja Anglicana, salientou a necessidade de adaptar-se a uma sociedade “diversificada e secular”, os números também têm peso próprio: as mulheres representam hoje quase um terço do clero anglicano, e portanto a consequência natural é que algumas acabem sendo ordenadas bispas.

Esse fator pesa tanto no futuro percurso da Igreja Anglicana quanto a via aberta pela consagração de seu primeiro bispo homossexual em 2004, o americano Gene Robinson. Cinco bispos dessa confissão confirmaram no início do mês sua decisão de abraçar o catolicismo, aderindo ao programa implementado pelo Vaticano para receber os fiéis anglicanos descontentes com o viés liberal de seu credo.

O número total de trânsfugas é difícil de avaliar, mas pelo menos se estima que cinco dezenas de sacerdotes protestantes se dispõem a refugiar-se sob o manto que lhes oferece Bento 16, embora a maioria seja casada e tenha filhos.

Enquanto o papa se dispõe a patrocinar em janeiro próximo a primeira ordenação de anglicanos que renegam as novas diretrizes dessa fé, o arcebispo Williams tenta reter os críticos que ainda se mantêm na Igreja da Inglaterra: “Aceitamos a discórdia, mas temos de buscar soluções inteligentes para não acabar dissolvendo-nos em pedaços”.

[b]Fonte: El Pais
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